quarta-feira, 16 de abril de 2014
O Problema Não é a Adicção
Olá meus queridos!!
Ouvi várias vezes que a ¨Recuperação do Adicto¨ não estava apenas relacionado com ele parar de usar Drogas. ¨O problema não é a sua Adicção, mais sim, as suas atitudes¨. O afastamento das drogas era apenas a primeira parte de um processo de libertação de um vício. Um vício físico, mental e espiritual.
Recuperação é mudança de ação, de hábitos e hábitos que estão relacionados com conceitos negativos que o Adicto repete nas suas 24h. Hábitos que aprendeu com os exemplos observados em seu convívio, hábitos que desenvolveu e hábitos que criou durante sua caminhada.
Conceitos como respeito, direitos, dever, liberdade são desconhecidos por eles ou adaptados as suas vontades, aos seus objetivos, por causas da sua doença ou porque já estavam incutidos em seu ser. Manipulam sentimentos e pessoas de acordo com as suas necessidades, aonde não são levados em conta os significados reais destes conceitos e nem princípios. Importando apenas os anseios, o poder, o seu ego.
Princípios reais são universais, não importa credos, educação, raças. Princípios são conceitos da natureza do homem, essenciais a um crescimento físico e espiritual. Princípios são verdades absolutas, imutáveis, transcendem à vontade deste ou daquele grupo. Princípios não podem ser adaptados a aspirações individuais e princípios são desconhecidos pelo Adicto.
Reavaliando minha vida percebo que o inferno vivido por causa da Adicção dele, o caos exterior e interior a todos não estava relacionado ao seu vicio em ¨drogas¨, não era o álcool nem o crack, que tornava nossas vidas em um total descontrole e sim as ¨Atitudes¨.
Ao meu redor as atitudes loucas, as insanidades, as irresponsabilidades já existiam muito antes das drogas. Nossa história indicava que não era a droga que o destruía, que destruía a família, o convívio, o amor, que levava desespero ao nosso corpo e mente. Não era a droga que levava ao sofrimento, que violentava, que agredia, toda a loucura estava ligada à ¨Atitude¨, a comportamentos antiéticos, imorais, desvairados, sem limites, que já eram existentes.
A droga nada criou, ela apenas potencializou o que já existia.
Hoje tenho consciência de que ¨ele¨ não precisa apenas para de usar drogas, o que realmente ¨ele¨ tem de parar é com seu comportamento obsessivo. As drogas não podem serem usadas como desculpas para o seu total medo da vida, para sua total falta de respeito, para seu total descontrole e nós também temos que parar de usarmos desta desculpa para nossa total incompetência perante a vida, nossos medos, nossas culpas, nossas frustrações. A nossa falta de querer ser feliz. As nossas relações com este mundo tem de ser transformadas.
Apenas ¨Parar¨ o uso das drogas não fará com que sejam apagados ressentimentos surgidos com a Adicção. As marcas são profundas demais para serem apagadas e somente uma completa modificação de comportamento dará inicio a verdadeira Recuperação e ao verdadeiro Perdão. Recuperação esta ligado à mudança de pensamentos, de sentimentos, de atitudes, o simples deixar de ser dependente químico não significa que os impulsos mais falhos, o caráter negativo tenham sido convertidos. Recuperação é eliminar os resíduos que ainda estão em uso, independente de parar ou não com as drogas. Resíduos dos tempos do uso do do crack, do álcool, resíduos dos tempos em que se deixou viciar pela falta de princípios humanos, éticos, morais, que foram permitidos serem desenvolvidos em seus costumes, em sua postura, em seu caminhar e em nosso caminhar. A mudança não tem de vir de fora para dentro, as mudanças tem de vir de dentro para fora. E não só seus atos tem de ser modificados, nossos atos também tem de serem modificados.
As verdadeiras drogas estão dentro de cada um, a verdadeira droga não é aquela que entra pela boca, pelo nariz e sobe ao cérebro e distorce realidades, induz comportamentos, permite coragem, permite ímpeto, permite que sejam colocados para fora tudo de ruim que esta amordaçado em nosso interior. A droga liberta o que de pior existe em nós, libertando todas as drogas da minha personalidade, todos os defeitos de caráter. A verdadeira droga é aquela que esta contida dentro de cada um de nós, são aquelas que saem de nossas bocas, são os pensamentos, são os sentimentos, são as ações. A verdadeira loucura da droga é aquela que se aloja no coração e domina o espírito.
A ¨drogadicção¨ é algo que permite que ¨Ele¨ seja aquilo que por covardia ¨Ele¨ não tem coragem de ser. Ela é o suporte que ele necessita para combater seus medos, para se sentir ¨alguém¨, ou, para se anular no mundo. A sua drogadicção faz com que ¨Eu¨ também infelizmente me sinta ¨alguém¨. A drogadicção dele da sentido a minha existência, e alimenta minha doença.
As consequências, as loucuras da Adicção que presencio hoje já estavam enraizadas em todos nós há muito tempo. Tudo a minha frente era previsível, apenas a minha negação em admiti-lo impedia de enxergar as coisas que aconteciam. Tudo sempre esteve bem ao lado, as minhas vistas, os defeitos de caráter, as manipulações, chantagens, as grosserias, o egoismo. Minhas facilitações, os conceitos baseados em minhas verdades absolutas, a arrogância, a prepotência. Nossas relações estruturadas em mentiras e falsidades, cheias de ressentimentos, enfim, tudo, tudo, já estava lá muito antes das drogas fazerem parte do dia-a-dia.
Precisou que as ¨drogas químicas¨ fincassem suas estacas em nossas vidas para que as ¨drogas da nossa personalidade¨ fossem encaradas de frente, pudessem serem sentidas, serem admitidas, desmascaradas. Que nossa hipocrisia viesse a tona, já que as deformidades, os conceitos deturpados absorvidos ao nosso caráter já o drogavam há muito tempo e dopavam a mim, minha família, a todos.
As drogas eram a porta de entrada para que pudéssemos culpar, desculpar, acusar, criticar, apontar no outro as imperfeições e erros que negávamos existir em nós. As drogas são a porta de saída hoje para que possamos desculpar, descobrir, recuperar, ver virtudes, compreender que os defeitos e erros que negamos existir em nós já existiam há muito mais tempo, muito antes da Adicção dele.
sábado, 12 de abril de 2014
A ESPERADA RECAÍDA....
Olá meus queridos...
Em primeiro lugar eu agradeço a Deus por estarmos todos bem apesar da problemática que um adicto na ativa trás para toda família...
A sensação que tenho é de que passou um tsunami por aqui, acabando mais uma vez, com alguns sonhos, esperanças, deixando tristeza, frustrações, sentimento de impotência e um enorme vazio, deixados pelas promessas nunca cumpridas como: ''foi a ultima vez'', ''Agora eu vou me tratar'', ''Me da mais uma chance que vou mudar'', ''me perdoe e me de mais um voto de confiança''...Enfim, aquelas famosas frases que já cansamos de ouvir de nosso familiar adicto. Promessas que nunca são cumpridas, não são cumpridas enquanto o adicto não se rende e reconhece que é impotente perante o vício...
Meu familiar adicto, estava a alguns dias sem o uso do crack, um mês e meio, mas não estava em recuperação, estava na ativa como eu comentei em post anterior, não abre mão da bebida.
Na cabeça dele a vida sem a ''cervejinha'' é uma vida sem alegria, uma vida vazia e sem sentido....
Estas foram as palavras dele quando chegou em casa de sua recaída esta madrugada.
Medos, tristezas, desgostos, cansaço físico e mental, é desta maneira que vive a família do adicto quando ele não está em recuperação, eu falo sempre muito sobre recuperação para meus amigos adictos e codependentes, consigo até algumas vezes ajudar algumas pessoas com o pouquinho que sei e tenho aprendido sobre estas doenças, leio livros, assisto palestras, participo de grupos online, sei tudo que é preciso para entrar em recuperação, mas quando chega na minha vez existem algumas coisas que ainda não consigo colocar em prática...(ex: desligamento emocional)
Gostaria de agradecer aos meus amigos do face, leitores e seguidores de meu blog por todas as mensagens de conforto, palavras amigas, me dando forças para não desistir e continuar minha luta.
Mas também quero esclarecer alguns pontos em que algumas pessoas tem me mandam emails e mensagens pelo face perguntando...Percebi que ao postar a palavra ''RECAÍDA'', no Facebook, alguns companheiros, que não conhecem minha historia e não conhecem este blog. pensaram que sou eu a adicta que tive a recaída, porém foi meu familiar que recaiu...
Meus queridos eu sou uma codependente lutando pela minha recuperação diariamente e tenho conseguido alguns progressos desde que descobri que era codependente.
Não sou dependente química, nunca usei drogas em minha vida ( exceto o cigarro).
Conheço um pouco sobre dependência química e codependencia porque pesquiso muito sobre o assunto.
Na minha família existem dois adictos, um deles é minha irmã que se encontra em tratamento em uma comunidade terapêutica.
Pela primeira vez desde que se tornou dependente do Crack, meu familiar adicto realizou um sonho que tinha a muito tempo, trabalhar sozinho. Como já disse várias vezes, a adicção é uma doença incurável, progressiva e fatal, que pode ser estacionada se o adicto se propor e ''quiser'' viver em recuperação. Depende do querer dele.
Desde que começou a trabalhar sozinho, meu familiar teve duas recaídas, por sua insistência em achar que pode tomar aquela ''cervejinha''gelada depois de um cansativo dia de serviço ( palavras dele). As vezes ele consegue se manter algum tempo sem o uso do Crack, mas a recaída é inevitável.
Enquanto ele não reconhecer que o Álcool para ele é uma droga, pois ele é alcoólatra e drogadicto, ele vai continuar nesta montanha russa, hora estou bem... hora recaio....
Ele não aceita a doença por isso dificulta a vida dele e a nossa.
Ontem ele não foi trabalhar devido a sua recaída, foi chegar hoje de madrugada.
Depois de 15 anos vivendo no olho do furacão, pude perceber como tudo isso prejudicou minha família, principalmente minha filha, que é uma menina depressiva, e está seriamente doente.
Por isso procuro ressaltar sempre, que nós codependentes ficamos tão doentes quanto o adicto, pois deixamos de viver nossas vidas em consequência do uso de droga do ente querido.
É muito difícil ver a pessoa que amamos se matando lentamente em sua frente e você não poder fazer NADA.
Realmente isso tudo cansa, desgasta e acaba com a estrutura de qualquer pessoa que viva com um adicto que não está em recuperação.
Tenho cuidado de mim e de minha filha, não deixo mais que a adicção de meu familiar faça com que eu cometa aquelas insanidades do início, mas ainda dói e sofro com tudo isso.
É lamentável ver como uma pessoa, inteligente, que poderia ter um futuro brilhante pela frente, ainda insista em persistir neste caminho que infelizmente o final todos conhecemos...(clínica, cadeia ou morte) não necessariamente nesta ordem.
O adicto de minha convivência, não quer perder o emprego, mas precisa ter responsabilidades, deveres e arcar com as consequências de seus erros, não vou ser facilitadora para ele em nada....
A cada dia que passa ele perde mais coisas; a confiança, o respeito, a família, o amor próprio, bens materiais, mas insiste em continuar cavando o poço para ver até onde chega...
Esta doença é terrível, pois tira totalmente o foco de vida e os objetivos do adicto, de um minuto para o outro ele pode perder o que conseguiu com tanto esforço...
Já ressaltei milhões de vezes as qualidades de meu familiar adicto, ele quando está sóbrio, é competente, honesto, esforçado, trabalhador e muito inteligente, tem um coração gigante e ama ajudar o próximo, põe muitos não adictos no bolso.
Mas ele com a droga se transforma em uma pessoa irresponsável e não cumpridora de seus deveres.
Isto é muito triste, pois minha filha e eu sofremos muitas privações devido ao uso de bebidas e drogas dele...Ele não tem controle algum.
Espero que Deus abra a mente dele para que ele possa buscar sua recuperação...
Obrigado a todos meus queridos amigos, principalmente a meu amigo, e minha querida irmã, que passaram por estes momentos comigo, momentos difíceis, momentos que meu familiar estava pelas ruas em sua busca insana pelas drogas... Sozinha eu não conseguiria.
Eu estava me martirizando aqui pensando em que desculpa arrumar pelas insanidades dele, pela falta de responsabilidade que é dele, tentando tapar o sol com a peneira como fiz durante todos estes anos, mas cheguei a conclusão que devo soltar a corda e deixar que ele caia mesmo no fundo do poço...A obrigação com o trabalho é dele e não minha, quem deve se preocupar é ele e não eu, se ele perder o emprego ele mereceu, pois estará colhendo o que plantou.
A única preocupação de minha parte é que ele prejudique terceiros com suas atitudes, esta doença só nos causa decepções. Só quem convive com um adicto na ativa em casa, sabe das nossas dores, angústias e vergonha alheia...
As pessoas de fora não vão enxerga-lo como um doente que precisa se tratar e sim como um ''Drogado'' irresponsável....
Não posso culpa-los por não entender a doença, pois as vezes até a família não tem preparo psicológico para saber como lidar com a situação.
Não consegui responder os emails e as mensagens do Facebook pois neste momento procuro dar uma atenção especial para minha filha que esta com depressão profunda e gravida de 7 meses...
Tenho que mante-la sob vigilância constante, todo cuidado é pouco, pois a depressão é outra grave doença que pode levar a sérias consequências...
Quando ele começou a trabalhar sozinho, foi com o objetivo de nos desligarmos um pouco, deixar que ele andasse com suas própria pernas, trabalhasse, criasse responsabilidade, e eu pudesse ter um tempo de descanso com minha filha e ajudar minha mãe com o problema de adicção de minha irmã, não queria trazer problemas para minha família, por isso sempre vivemos isoladas de tudo e de todos, pois por onde passamos as pessoas acabam se afastando de nós, alguns por preconceito, outros por serem diretamente afetados pelo comportamento dele quando está na ativa, ou por qualquer outro motivo relacionado a adicção ou codependencia..
Sempre carreguei este fardo nas costas, os problemas não são meus, são dele e ele precisa sofrer perdas para realmente ''QUERER''entrar em recuperação.
A cada recaída a gente se afasta cada vez mais, minha filha adoece cada vez mais, as perdas vão gradativamente aumentando, ele já perdeu muito do que tinha, e vou ter que ter cada vez mais força , até o dia que eu finalmente consiga dar um BASTA em tudo isso.
Não é justo que pelo egoísmo de uma única pessoa, em querer viver a vida em função do seu prazer, que se destrua o resto da família...
Não é justo que se ele insistir em trilhar este caminho tortuoso, insistir continuar vivendo na ''ativa'', não se render e entrar em recuperação, eu fique ao seu lado.
Depende única e exclusivamente de mim a decisão de continuar neste sofrimento, ou soltar a corda e mudar tudo em minha vida, sei que minha felicidade depende única e exclusivamente de mim, pode e nem deve estar condicionada a ninguém, e são minhas escolhas que determinam se vou ser feliz ou não.
Até hoje ainda não encontrei forças e nem me sinto preparada para deixar meu familiar adicto.
Acredito que se estou aqui até hoje, foi por permissão de Deus com propósito na vida dele, ou na minha, mas acredito que tem um tempo para todas as coisas, a bíblia diz que:''Há tempo para sorrir , tempo para chorar''..., e o meu tempo de sorrir está cada dia que passa mais próximo de chegar...Tenho fé no meu Deus...
AMO TODOS VOCÊS INCONDICIONALMENTE...
quarta-feira, 9 de abril de 2014
LIMITES...
Boa tarde amigos queridos...Por aqui segue tudo em paz graças a Deus...
Limites é a minha capacidade de dizer Sim e Não, de decidir metas, atitudes. É meu pensar, é minha vida, é definir quais serão os parâmetros para minha vida.
Ter limites me prepara para as possibilidades que virão e de não ser responsável por aquilo que não é meu. De ter o Controle sobre as coisas que me dizem respeito.
Ao me dar ¨Limites¨ sei exatamente das minhas reações, dos meus sentimentos, das minhas potencialidades. Tenho o conhecimento das minhas limitações e da minha força, sendo dono da minha própria felicidade, sendo juiz de mim mesmo, sou independente do outro para me sentir feliz.
Ao não me dar à chance de ter esta Ferramenta reajo sempre de forma inadequada, obedecendo não aos meus instintos, meus pensamentos, mas sim, aos anseios dos outros, me permitindo ser manipulado, facilitador, imaturo, sem soluções que dependam da minha vontade de dizer Sim ou Não.
Não ter Limites é fazer pelo outro aquilo que não consigo fazer por mim. Enfoco todo meu potencial de vivência em outra pessoa, perco minhas características e personalidade para ser apenas um reflexo da vontade alheia. Dou ao outro, a terceiros, as situações, os momentos, os ganhos, ficando para mim as perdas para resolver. Ofereço ao outro a capacidade de ser feliz e retiro de mim esta capa-cidade. Sem Limites a felicidade não mais depende de mim, mais sim, depende de uma vontade alheia.
Sem esta Ferramenta perco direitos e assumo deveres. Deveres estes sempre sob o aspecto do Direito do outro e nunca do meu.
Vivo a vida do Adicto para o Adicto e pelo Adicto, minha felicidade esta sempre atrelada a Ele, nunca sou Eu que defino meus desejos. Sempre sou levado a atitudes não determinadas por mim, nunca levando em consideração meu próprio julgamento. Sempre e sempre sou Eu quem assume a sentença, nunca sou o julgador, sou só o réu.
Com a Adicção minha falta de Limites ultrapassa as fronteiras da razão. Vivo em prol de resolver as loucuras e inconsequências da sua doença.
Aos poucos vou percebendo que a falta de ¨Limites¨ em mim não é uma conseqüência da Adicção ¨dele¨. Esta informação já estava dentro de mim, instaladas de forma disfarçada nas minhas atitudes e nos meus conceitos desenvolvidos durante a minha existência. Ele; o Adicto; apenas permitiu desenvolve-la, aperfeiçoar esta Ferramenta e aproveitando desta minha falha de caráter ou personalidade ele as usa para manter o Poder sobre a minha vida, para ser dono do meu mundo e me incluir no mundo deles.
Esta falta de Limites já estava dentro do meu ¨Programa de vida¨ muito antes do surgimento da Adicção em minha vida, nas nossas vidas. Surgiu em nós com o nosso desenvolvimento, por questões filosóficas, educacionais, sociais, religiosas. Fomos aprimorando esta conduta, entendendo Limites como um sentimento pequeno, de fraqueza, de falta de Amor. Foi-nos ensinado que como seres humanos jamais poderíamos ter ¨Limites¨, em verdade precisamos e temos que ter ¨Limites¨, pois, é através dele que criamos conceitos de respeito a nós, pelo outro e pelo mundo.
A falta deste conceito me conduz a assumir coisas que não me pertencem, me deixam ser coagido, manuseado, me torno um grande alimentador das expectativas, sonhos e desejos dos outros.
As Adicções dele e a nossa nos faz utilizar desta Ferramenta a todo o momento no percurso da vida.
Temos de aprender a não ceder a caprichos, vaidades, imposições, chantagens. A falta de ¨Limites¨ é a maior forma de ditadura imposta pelo Adicto a mim, ao permitir que esta se desenvolva permito a Ele se manter no Poder e no Controle de meu corpo, minha alma, mente e coração.
Quando percebo da minha impotência perante a Adicção dele ou as Drogadicções dos outros como forma de compensar esta minha falha, permito-me fazer de tudo para sanar, corrigir ou amenizar as conseqüências da doença. Utilizando-me de falsas ajudas a ele, me coloco sempre pronto a fazer todo o impossível possível. Usando de todos os ilimitados conceitos de Amor que possuo, de meus ilimitados conceitos de responsabilidade, de meus ilimitados medos, de meus ilimitados conceitos de culpa tento de todas as formas livrá-lo das garras das drogas.
Descubro com o uso desta Ferramenta que ninguém aprende a Acertar se não lhe for permitido Errar.
Enquanto não compreendermos que a falta de ¨Limites¨ propícia sofrimento, que é uma Ferramenta progressiva para Adicção deles e da nossa destruição. Quando assumo seus atos estou dando a ele as armas necessárias para ter a quem culpar por sua doença e responsabilizar por ela, não assumindo que a doença é dele é somente dele e não minha. Enquanto Ele continuar a fazer com que eu me utilize da minha falta de ¨Limites¨, ele não terá condições de procurar sua própria Recuperação e Eu não serei capaz de ser procurador da minha.
Meu Adicto por causa da sua doença é o centro do mundo. O que importa é o que quer, o que deseja, o que importa é a sua liberdade, sua vida, seus prazeres. São donos daqueles que o cercam, suas regras devem ser obedecidas e são as que valem. Seus sentimentos é que são importantes e não devem ser questionados, não devem ser impedidos, não devem ser contrariados. São Egocêntricos, egoístas, individualistas.
A Adicção faz com que as contas das coisas que ele quer, que deseja, da liberdade, dos prazeres da sua vida não devam ser de sua responsabilidade serem pagas. Estas contas têm de serem pagas por nós. Porque nós assumimos que somos seus avalistas na vida, que temos obrigações para com eles e se temos obrigações, se os amamos e queremos vê-los felizes não devemos ter, portanto ¨Limites¨.
Ter ¨Limites¨ não é dar ao outro fronteiras para suas atitudes e vidas. Ter ¨Limites¨ não foi feito para eles. ¨Limites¨ não é para o outro, Limites é para mim. Ao me dar esta nova Ferramenta permito avaliar meus conceitos, permito pensar, permito me respeitar, permito reconhecer minhas limitações e impotências.
Aprendo que ¨Limites¨ a mim não é deixar de Amar meu Adicto, mas, dar a ele a tão sonhada ¨Liberdade¨, o ¨Amor verdadeiro¨.
Passo a compreender, a ter compaixão por ele, aprendo a não mais sofrer, a não ter mais angustia, ansiedades por sua doença, compreendo que só ele possui o poder de dar Limites a sua doença.
Ao não exercer esta Ferramenta impeço que o outro cumpra com seu papel de se desenvolver como pessoa e aprenda com os ¨Meus Limites¨ a ter ¨Seus Próprios Limites¨.
Muita paz e serenidade a todos !!!! Amo todos incondicionalmente!!!
domingo, 6 de abril de 2014
SOBRE A IBOGAÍNA....
Bom dia meus queridos amigos, espero que todos esteja em paz e na mais perfeita serenidade com suas famílias...
Aqui em casa tudo bem, andei passando por problemas sérios com minha filha por causa da depressão, o adicto de minha convivência está trabalhando e não teve recaídas na sua droga de preferencia faz um tempinho...(parei de contar) Pois ele não se encontra em recuperação...Continua insistindo na ''cervejinha''...
Então quando realmente ele estiver limpo, começo contar seus dias de sobriedade.
Devido a correria e os problemas com minha filha, tenho tido pouco tempo de postar aqui no blog e de responder a todos emails que tenho recebido...Tenham um pouco de paciência comigo que vou respondendo na medida do possível
Hoje vou falar sobre um assunto que muitas pessoas estão em duvidas, o lado positivo e negativo do tratamento com a Ibogaína..Tenho recebido muitos emails e mensagens me perguntando sobre isso.
O meu familiar adicto não fez este tratamento devido ao alto custo, mas ele sempre teve o desejo de fazer devido aos emails que recebo falando dos resultados positivos de muitas pessoas que fizeram este tratamento.
Pesquisei um pouco sobre o assunto na internet e vou colocar alguns textos pra vocês conhecerem melhor a Ibogaína...
DESMITIFICANDO A IBOGAÍNA
Muito se tem falado a respeito da Ibogaína aqui no Brasil nos últimos tempos... bem e mal, com discussões apaixonadas, e, às vezes, desprovidas de cunho científico e repletas de preconceito.
Para quem não sabe, Ibogaína é uma substância extraída da planta Tabernanthe iboga, originária do Gabão, e planta sagrada utilizada nos rituais da religião Bwiti, religião e rituais estes existentes desde a pré-história. Em 1962 Howard Lotsof, na época dependente de heroína, descobriu que uma única dose de Ibogaína foi suficiente para curar a dependência sua e de alguns amigos. A partir daí surgiu com força uma rede internacional de provedores de tratamentos para dependência em todo o mundo, alguns oficiais, outros underground. Desde essa época até hoje cerca de 15.000 pessoas já fizeram o uso médico da substância, com resultados, em sua maioria, muito bons. Realmente os efeitos são surpreendentes, e, em muitos casos, ocorre uma melhora do quadro de dependência significativa, em apenas 24 horas.
Como tudo que é diferente, e como tudo que é inovador, existem também em relação à Ibogaína controvérsias e dúvidas, que tem origem na desinformação e no preconceito, e algumas vezes também em interesses econômicos. Este texto visa esclarecer as dúvidas e orientar as pessoas sobre o assunto. É interessante o fato de que a maioria das pessoas que é contra esse tratamento, não sabe absolutamente nada a respeito, mesmo alguns sendo renomados profissionais da área. É o estilo “não li e não gostei”. Na área da dependência química no Brasil, alguns egos são imensos.
Sempre que se fala de Ibogaína, cita-se o fato de a mesma ser proibida nos Estados Unidos e em mais 3 ou 4 países, sendo em todos os outros (inclusive no Brasil) isso não ocorre. Pelo contrário, o Brasil é um dos pioneiros nesse tratamento e os profissionais envolvidos, apesar de pouco conhecidos aqui, têm reconhecimento internacional. Essa proibição da Ibogaína em poucos países deve-se à desinformação e a interesses econômicos e políticos.
Primeiramente, essa medicação não interessa à grande indústria farmacêutica, visto ser derivada de plantas, com a patente de 1962 já expirada, tendo, portanto, um baixo potencial de lucro.
Alem disso, em muitos locais, o preconceito contra os dependentes faz com que eles sejam vistos como pessoas que não merecem serem tratadas e sim presas ou escorraçadas. Assim sendo, o fato da Ibogaína ter sido descoberta por um dependente químico, para algumas pessoas, já a desqualifica.
Fora isso, o falso conceito de que a planta é alucinógena, gera uma quase histeria em determinados profissionais da área, que mal informados, com má vontade, e baseados em informações conflitantes pinçadas na internet, repassam informações errôneas adiante. A Ibogaína não é exatamente alucinógena, é onirofrênica, (Naranjo, 1974; Goutarel, Gollnhofer, and Sillans 1993), ou talvez seja melhor dizer, remogênica, ela estimula a mente de maneira a fazer com que o cérebro sonhe, mesmo com a pessoa acordada. Isso é comprovado por inúmeros estudos ao redor do mundo, mas é fácil confirmar, basta fazer um eletroencefalograma (EEG) durante o efeito da substância pra se ver que o padrão que vai aparecer é o do sono REM, não de alucinações. Alem disso, a ibogaína não se liga ao receptor 5HT 2a, o alvo clássico de alucinógenos como LSD, por exemplo.
Outra crítica relacionada à Ibogaína, que é sempre citada, são as até agora 14 mortes que ocorreram, em 48 anos, como comentado acima, em cerca de 15000 tratamentos realizados. Isso dá menos de 1 fatalidade em cada 1000 tratamentos, número muito menor por exemplo do que as fatalidades provocadas por metadona, que é outra substância utilizada no tratamento da adicção, e que é de 1 fatalidade para cada 350 tratamentos.
O detalhe, sempre deixado de lado pelos detratores da Ibogaína, é que em todos os casos de fatalidades registrados, comprovadamente se detectou o uso sub-reptício concomitante de heroína, cocaína e/ou álcool, confirmado por necropsia, o que nos leva à conclusão de que não existem fatalidades relacionadas à Ibogaína e sim à heroína/cocaína/álcool e à mistura dessas substâncias... além disso, poucas coisas no mundo são mais mortais do que usar drogas.. isso sim é perigoso.
Mais outra crítica é sobre o uso em humanos, sendo que no Gabão, há 5000 anos humanos já usam a substância em seus rituais, sem problemas. Já foram feitos vários trabalhos científicos, por cientistas renomados, que comprovam a baixa toxicidade e a segurança do tratamento, desde que feito dentro dos protocolos.
A taxa média de eficácia da Ibogaína para tratamento da dependência de crack é de 70 a 80%, que é altíssima, principalmente se lembrarmos que, além de ser uma doença gravíssima, as taxas de sucesso dos tratamentos tradicionais é de 5%. Incrivelmente, essa taxa de 80% também é alvo de críticas... Porque não são 100%, eles dizem? Já que é tão bom, porque não cura todo mundo? Ora, nenhum tratamento médico é 100%, existem variáveis ponderáveis e imponderáveis que influenciam a evolução dos pacientes, como motivação, características individuais de cada paciente, preparação adequada, com psicoterapia pré e pós tratamento de alto nível, tudo isso faz com que haja variações na eficácia. O fato é que a Ibogaína é hoje, de longe, o tratamento mais eficaz contra a dependência que se tem notícia, em toda a história da humanidade. Feito com os cuidados necessários, é seguro, eficaz, e não existem relatos de seqüelas, nem físicas, nem psicológicas.
Assim sendo, pessoas que vivem da cronicidade da doença, para as quais não interessa que haja cura e sim perpetuação do quadro, e assim, indiretamente, perpetuação dos lucros, se insurgem contra ela.
Em toda a história da humanidade, as inovações, as mudanças de paradigma, sempre foram combatidas.
E apenas mais um detalhe: as outras opções de tratamento, são bastante ineficazes, para que se possa dar ao luxo de não dar à ibogaína a atenção que ela merece.

Muito se tem falado a respeito da Ibogaína aqui no Brasil nos últimos tempos... bem e mal, com discussões apaixonadas, e, às vezes, desprovidas de cunho científico e repletas de preconceito.
Para quem não sabe, Ibogaína é uma substância extraída da planta Tabernanthe iboga, originária do Gabão, e planta sagrada utilizada nos rituais da religião Bwiti, religião e rituais estes existentes desde a pré-história. Em 1962 Howard Lotsof, na época dependente de heroína, descobriu que uma única dose de Ibogaína foi suficiente para curar a dependência sua e de alguns amigos. A partir daí surgiu com força uma rede internacional de provedores de tratamentos para dependência em todo o mundo, alguns oficiais, outros underground. Desde essa época até hoje cerca de 15.000 pessoas já fizeram o uso médico da substância, com resultados, em sua maioria, muito bons. Realmente os efeitos são surpreendentes, e, em muitos casos, ocorre uma melhora do quadro de dependência significativa, em apenas 24 horas.
Como tudo que é diferente, e como tudo que é inovador, existem também em relação à Ibogaína controvérsias e dúvidas, que tem origem na desinformação e no preconceito, e algumas vezes também em interesses econômicos. Este texto visa esclarecer as dúvidas e orientar as pessoas sobre o assunto. É interessante o fato de que a maioria das pessoas que é contra esse tratamento, não sabe absolutamente nada a respeito, mesmo alguns sendo renomados profissionais da área. É o estilo “não li e não gostei”. Na área da dependência química no Brasil, alguns egos são imensos.
Sempre que se fala de Ibogaína, cita-se o fato de a mesma ser proibida nos Estados Unidos e em mais 3 ou 4 países, sendo em todos os outros (inclusive no Brasil) isso não ocorre. Pelo contrário, o Brasil é um dos pioneiros nesse tratamento e os profissionais envolvidos, apesar de pouco conhecidos aqui, têm reconhecimento internacional. Essa proibição da Ibogaína em poucos países deve-se à desinformação e a interesses econômicos e políticos.
Primeiramente, essa medicação não interessa à grande indústria farmacêutica, visto ser derivada de plantas, com a patente de 1962 já expirada, tendo, portanto, um baixo potencial de lucro.
Alem disso, em muitos locais, o preconceito contra os dependentes faz com que eles sejam vistos como pessoas que não merecem serem tratadas e sim presas ou escorraçadas. Assim sendo, o fato da Ibogaína ter sido descoberta por um dependente químico, para algumas pessoas, já a desqualifica.
Fora isso, o falso conceito de que a planta é alucinógena, gera uma quase histeria em determinados profissionais da área, que mal informados, com má vontade, e baseados em informações conflitantes pinçadas na internet, repassam informações errôneas adiante. A Ibogaína não é exatamente alucinógena, é onirofrênica, (Naranjo, 1974; Goutarel, Gollnhofer, and Sillans 1993), ou talvez seja melhor dizer, remogênica, ela estimula a mente de maneira a fazer com que o cérebro sonhe, mesmo com a pessoa acordada. Isso é comprovado por inúmeros estudos ao redor do mundo, mas é fácil confirmar, basta fazer um eletroencefalograma (EEG) durante o efeito da substância pra se ver que o padrão que vai aparecer é o do sono REM, não de alucinações. Alem disso, a ibogaína não se liga ao receptor 5HT 2a, o alvo clássico de alucinógenos como LSD, por exemplo.
Outra crítica relacionada à Ibogaína, que é sempre citada, são as até agora 14 mortes que ocorreram, em 48 anos, como comentado acima, em cerca de 15000 tratamentos realizados. Isso dá menos de 1 fatalidade em cada 1000 tratamentos, número muito menor por exemplo do que as fatalidades provocadas por metadona, que é outra substância utilizada no tratamento da adicção, e que é de 1 fatalidade para cada 350 tratamentos.
O detalhe, sempre deixado de lado pelos detratores da Ibogaína, é que em todos os casos de fatalidades registrados, comprovadamente se detectou o uso sub-reptício concomitante de heroína, cocaína e/ou álcool, confirmado por necropsia, o que nos leva à conclusão de que não existem fatalidades relacionadas à Ibogaína e sim à heroína/cocaína/álcool e à mistura dessas substâncias... além disso, poucas coisas no mundo são mais mortais do que usar drogas.. isso sim é perigoso.
Mais outra crítica é sobre o uso em humanos, sendo que no Gabão, há 5000 anos humanos já usam a substância em seus rituais, sem problemas. Já foram feitos vários trabalhos científicos, por cientistas renomados, que comprovam a baixa toxicidade e a segurança do tratamento, desde que feito dentro dos protocolos.
A taxa média de eficácia da Ibogaína para tratamento da dependência de crack é de 70 a 80%, que é altíssima, principalmente se lembrarmos que, além de ser uma doença gravíssima, as taxas de sucesso dos tratamentos tradicionais é de 5%. Incrivelmente, essa taxa de 80% também é alvo de críticas... Porque não são 100%, eles dizem? Já que é tão bom, porque não cura todo mundo? Ora, nenhum tratamento médico é 100%, existem variáveis ponderáveis e imponderáveis que influenciam a evolução dos pacientes, como motivação, características individuais de cada paciente, preparação adequada, com psicoterapia pré e pós tratamento de alto nível, tudo isso faz com que haja variações na eficácia. O fato é que a Ibogaína é hoje, de longe, o tratamento mais eficaz contra a dependência que se tem notícia, em toda a história da humanidade. Feito com os cuidados necessários, é seguro, eficaz, e não existem relatos de seqüelas, nem físicas, nem psicológicas.
Assim sendo, pessoas que vivem da cronicidade da doença, para as quais não interessa que haja cura e sim perpetuação do quadro, e assim, indiretamente, perpetuação dos lucros, se insurgem contra ela.
Em toda a história da humanidade, as inovações, as mudanças de paradigma, sempre foram combatidas.
E apenas mais um detalhe: as outras opções de tratamento, são bastante ineficazes, para que se possa dar ao luxo de não dar à ibogaína a atenção que ela merece.

Ibogaina foi efetivo em reduzir os sintomas de abstinência. Pacientes que usaram ibogaina descreveram significante diminuição na vontade de usar ópio ou cocaina durante a desintoxicação. Essas pesquisas questionaram especificos aspectos de vontade de usar droga, também pensamentos em usar drogas e planos de usar drogas. Essas medidas relataram grande diminuição no vicio dos usuários em relação à cocaína e ópio, pacientes relataram que a dose de ibogaina cortou a vontade do uso da droga de dias para meses após o tratamento.
Depressão, ansiedade e agonia são partes dos sintomas de abstinência que frequentemente levam a uma recaída durante a desintoxicação. Sintomas pós-abstinência são causados pela adaptação física e distúrbios nos neurotransmissores, e também são causados por hiperexcitabilidade emexpecificas zonas neurológicas, resultados do uso da droga por muito tempo. Ibogaina foi efetivo em aliviar a depressão e ansiedade, diminuir a hostilidade e aumentar o vigor. Ibogaina promove apreciável diminuição no sintomas de ambos, pós e durante a abstinência.

Desde quando criei o blog, recebi centenas de emails de pessoas querendo saber mais sobre este tratamento com a Iboga...
Também recebi diversos emails de pessoas que fizeram este tratamento e obtiveram excelentes resultados.
Como sabemos que a adicção é uma doença comportamental, o tratamento não faz milagres, está é a minha opinião, o grande segredo da recuperação vem do ''querer'' do adicto, este tratamento tira a fissura, o incontrolável desejo de usar drogas e ansiedade, características do adicto. Mas ainda tem que se tratar o comportamento, por isso na minha opinião o ideal seria que mesmo com o tratamento da ibogaína o adicto, continue aqui fora frequentando reuniões e mantendo o foco em sua recuperação, evitando pessoas, lugares que o levem novamente ao uso.

Diogo Nascimento Busse, 28 anos, era usuário de drogas. Durante 13 anos, a vida dele foi semelhante à de outros usuários: mesmo estudando e trabalhando normalmente, passava dias fora de casa e chegou a sofrer alguns acidentes. Tentou inúmeros tratamentos psiquiátricos, psicológicos, medicamentos e internações. Nada deu resultado. Sem saída, mas com esperança de largar a dependência, há dois anos e meio, a curiosidade empurrou Busse para uma substância pouco conhecida no Brasil: a ibogaína.
Substância extraída da raiz da iboga, arbusto encontrado em países africanos, a ibogaína é usada para fins terapêuticos no país há dez anos, por uma única clínica, com sede em Curitiba. Nesse período, 130 usuários de drogas usaram o medicamento, Diogo foi um deles. Há dois anos e meio livre do crack, o advogado e professor universitário conta como foi a experiência. “Foi um renascimento. Foi uma viagem espiritual, de autoconhecimento, expandiu meus horizontes. É inexplicável. Hoje eu analiso o passado e não tenho lembranças positivas daquele tempo”, diz.
De acordo com o médico gastroenterologista da clínica Bruno Daniel Rasmussen Chaves, a ibogaína produz uma grande quantidade do hormônio GDNF, que estimula a criação de conexões neuronais, o que ajuda o paciente a perder a vontade de usar drogas. A ibogaína, segundo ele, também produz serotonina e dopamina, neurotransmissores responsáveis pelas sensações de prazer. A droga é processada na Inglaterra e vendida em forma de cápsulas. O preço de uma unidade, quantidade suficiente para o tratamento, gira em torno de R$ 7 mil reais.
Não é um milagre As imagens que as pessoas enxergam enquanto estão sob o efeito da droga, segundo o médico, são sonhos. “Não se trata de alucinações, a ibogaína não é alucinógena. É como sonhar de olhos abertos, só que durante muito tempo. Durante o sono temos apenas cinco minutos de sonhos a cada duas horas. Com a ibogaína são 12 horas”, explica Chaves.
Mesmo que os resultados sejam animadores – a taxa de recaída entre os usuários da ibogaína gira em torno de 15%, enquanto nos tratamentos convencionais varia entre 60% e 70% – a substância não é um milagre e nem faz tudo sozinha. De acordo com a psicóloga Cleuza Canan, que há mais de 30 anos trabalha com dependência química, os pacientes passam por três fases. “Avaliamos clinicamente e psiquicamente o paciente. Existe uma fase de desintoxicação. São necessários 60 dias de abstinência para o paciente ir para a ibogaína. Depois que ele toma, começa uma fase que consiste na reorganização e readaptação, com terapia individual e de grupo”, afirma.
A reportagem Gazeta do Povo conversou com ex-usuários de drogas que recorreram à ibogaína. Eles foram unânimes em afirmar que, depois de tomar a substância, nunca mais tiveram vontade de se drogar. “Eu nunca mais tive vontade. Aquela fissura desapareceu. A droga é apenas uma lembrança, nada mais que isso”, diz um paciente que não quis se identificar. Segundo Cleuza, a recaída só é possível se o paciente mantiver os mesmos hábitos. “Se ele frequentar os mesmos lugares, conviver com os mesmos amigos, achar que está imune”, explica.
sábado, 22 de março de 2014
Carta de uma mãe desesperada...
Oração de uma mãe desesperada
“Deus meu, oriente-me nesta causa,pois sei que para ti, não é perdida.”
Senhor dê-me uma gota deesperança, apenas uma luz."
Um dia, sonhei em constituir uma família e quando ela veio,vivi por ela e para ela e hoje depois de tantas
lutas, vejo todos os dias o meu sonho de família feliz esvaindo-se de mim.
Deus, eu acho que adormeci no tempo e quando acordei, não gostei do que vi, pois percebi que meus sonhos estavam espalhados pelo chão e eu tentei recolhe-lhos, mas não consegui, por que pensei ser tarde demais. E, enquanto eu lutava para
reunir os meus cacos, a minha família ruía. Deus, deparei-me com uma pessoa estranha a meu lado. E, ao olhá-lo mais de perto, por alguns instantes, quase não o reconheci e
constatei com tristeza que falhei ao tentar ajudá-lo, mergulhando de cabeça no dissabor da perda e na
corrente das mães desesperadas, desamparadas e desprovidas de esperança.
Deus tenho o sentimento de culpa como fiel escudeiro, porque não sei ao certo o que eu, como mãe poderia ter feito para modificar o triste quadro em que me encontro agora, porque me sinto vazia, confusa e infeliz. Ao lembrar-me do meu filho brincando há poucos dias, fechei os meus olhos e vi que ele ainda usava roupa de escola e corria pelo quintal, sorridente e feliz.Porém, quando abro os meus olhos, vejo o sorriso da minha cria,dia após dia se apagando.
Deus, aparentemente ele cresceu, mas à medida que usava drogas os seus objetivos encolheram, e tudo aconteceu tão depressa que mal percebi que os seus brinquedos foram
abandonados em um canto qualquer.
Percebi que, daquela criança linda e arteira, nada restou. Deus, faço-lhe agora a pergunta que teima em não calar:em que momento do caminho o meu filho se perdeu? Por que eu não estava lá? E, se eu estava tão perto porque não vi as coisas tomarem a proporção que tomaram? Como ele conseguiu se esconder de mim?
Deus, meu, sei que sempre lhe dei o melhor de mim, dos meus anos e dias, inclusive, dei-lhe também toda a minha força e alegria. Ensinei-lhe valores e dei exemplos claros de
honestidade, sonhando em fazer dele um grande homem, e parti de encontroa este sonho. Mas, vi que este sonho era só meu... Só agora vejo que sonhei sozinha. Porque ele
rejeitou tudo que lhe dei e, com tempo de uso, perdeu a sua
capacidade de amar e sonhar. Deus estou aqui chorando devido as suas partidas bruscas, rumo à insanidade.
Senhor, por favor, dizei-me o que fiz de certo e errado, preciso saber. Não me esconda nada, pois, por mais dura
que seja a minha realidade, sei que ainda posso suportar um pouco mais de dor. Porque nada pode ser pior do que conviver com culpa e a dúvida que me atormentam noite e dia. Diga-me senhor, onde errei? Foram brinquedos demais ou de menos?
Foram ditos muitos sim e poucos não? Foi falta de castigo, conversas abertas e longos diálogos? Fui permissiva e muito passiva? Amei demais ou de menos? Vigiei pouco ou em demasia? O que faço senhor?
Choro paralisada e espero o trágico final ou luto por ele com as poucas forças que ainda me restam?
Confesso que já não sei mais o que fazer, porque me sinto tão confusa e o meu coração sangra, pois, por mais que pense incansavelmente em uma saída, não encontro respostas. Não consigo encontrar o fio da meada onde tudo começou, contorceu e se perdeu.
Deus, já perdi as contas das vezes que eu o procurei pelas madrugadas e não encontrei. Já chorei, implorando para que ele me ouvisse, pedindo em desespero para que ele deixasse as drogas. Eu me arrastei, gritei, ameacei,tranquei, amaldiçoei, mas nada funcionou. Tudo me parece como sempre e, confesso que, a cada
dose, só piora. Nada acontece, Senhor. Sou testemunha ocular de um suicídio passional, profundo e lento.
Deus, posso ver os cortes profundos, sangrando e vertendo incessantemente daquela alma vazia.
O que acontece, Senhor? O meu filho não me ama? O medo e a dúvida tomam conta de mim e a minha mente oscila sob o efeito bumerangue da vil decepção. Senhor, quantas perguntas vazias e perturbadoras e, eu aqui, sem resposta e esperança aparente.
Pergunto-lhe: Por que tenho que passar por isso meu Deus. Onde exatamente errei? Dei-lhe escola, apoio, ombro. Mas, ele virou as costas para tudo que lhe ofertei.
Esqueceu-se de mim, de si, dos amigos, dos estudos, perdendo o anseio pela própria vida.
Senhor quantas madrugadas não durmo rolando na cama, sem sono e
pensando onde ele está. Eu choro quando vejo o seu lugar vazio à mesa, e me pergunto:será que ele já comeu? Será que está bem? A sua vida está segura? Será que o verei de
novo? Não sei o que pensar e a minha cabeça gira quando imagino que já não há mais nada a fazer a não ser esperar pelas trágicas e inevitáveis notícias. Deus, muitas vezes, choro escondida e amargurada, escondo o meu rosto, na tentativa de que não vejam o tamanho do meu sofrimento.
Choro quando alguém me pergunta por ele, porque sei que, como mãe, eu deveria saber onde o meu filho está, e não sei. Penso que cheguei ao fim da linha, porque preferiria morrer ao vê-lo assim, em queda livre, andando cegamente em direção ao precipício. Deus, todos os dias eu rezo para que ele não fique preso nos braços da morte.
Senhor, tu que amaste o seu filho incondicionalmente, mas o
entregaste ao sacrifício, por favor, não tire o meu filho de mim. Dê a ele mais uma chance.Tu bem sabes, Senhor, que ele era uma pessoa feliz, mas a droga o transformou em uma pessoa que ele não queria ser. Ela o levou a fazer coisas que ele não queria fazer. Com o tempo de uso de drogas, o monstro assumiu e o meu filho, praticamente desapareceu. Digo isso, porque via o seu sofrimento a cada chegada. Hoje, ele já não vem mais, porque se entregou às drogas de uma forma covarde e absurda.
Abdicou de si mesmo, do meu amor e da própria vida. Senhor, estou disposta a fazer o que for preciso para ter o meu filho de volta. Diga- me qualquer coisa, que imediatamente farei. Deus, fique comigo, me conduza enquanto eu andar por este caminho desconhecido e sombrio. Apenas não me deixe acreditar que estou só.
Deus, eu preciso de um filete de esperança e dizendo-me que me escutas quando oro e que ao dormir atribulada em meio a lágrimas e soluços, tu consolas o meu coração.
A resposta de deus
“Filha minha, não lhe afogues no desespero, nem em desesperança.
Por mais duro que seja a realidade do seu filho, deverá, deixá-lo sentira dor que tiver que sentir, porque não poderás tomar as chibatadas da vida por ele, e não conseguirás, de forma alguma, tomar para si o seu fardo, nem modificar o que ele não quiser que seja mudado. Por isso, siga a sua
vida sem culpa.
”Eu, em minha magnitude e benevolência, não posso impedi--la de sofrer, mas posso amenizar a sua dor quando afirmo que a vida de seu filho já está em minhas mãos.
Eu observo todos os seus passos e o protejo e, mesmo não aprovando os seus comportamentos, o perdoo constantemente. Sei que a capacidade de percepção de seu filho está abalada. Mas, ainda existem aqueles raros momentos em que ele se questiona, e vem até mim perguntando: Deus, até onde vale à pena continuar assim? Então, digo-lhe, mansamente que ele pode parar
com todo este sofrimento quando quiser, mas, como sempre,mostra-se incrédulo na própria capacidade de
superação. Dias desse, eu o vi cabisbaixo e chorando. Ele me pedia
coragem para sair do estado deplorável de degradação em que se colocou. Pedia-me para modificar a sua vida. Chegou até mesmo implorar para eu o levasse comigo, pois não aguentava mais sofrer.
Muitas vezes, ele lembra-se de mim.
Na calada da noite, nos becos e nas horas de perigo, ele me diz: meu Deus, se me livrar dessa, nunca mais vou usar drogas! Porém, são apenas promessas vazias. Nestas horas, ele realmente acredita em suas promessas,mas logo depois, as esquece. Quando o livro do perigo, ele recomeça todo o processo de destruição novamente, Eu sempre estou lá e observo tudo como pai zeloso que sou. Muitas vezes, quando ele pensa que está sozinho, eu o carrego em meus braços e o coloco a salvo, concedendo-lhe a oportunidadede mais um recomeço.
Mãe, não pense que seu filho não a ama. Sei que ele lhe parece tão incessível, mas age assim porque os seus sentimentos estão adormecidos por causa das drogas. Mas posso assegurar-lhe que ele não a esqueceu, porque dentro de seu peito ainda pode senti-la e, quando você chora, por um instante, em um lampejo de sanidade, o coração dele
chora também.
Às vezes, ele pensa: Será que ela já está dormindo? O que vou dizer se ela gritar ou me amaldiçoar quando eu chegar em casa drogado? Que tipo de mentira desta vez terei que inventar?
Será que ela ainda me ama? Filha minha, ele está cansado demais, mas não se rende. Às vezes, ele promete a si mesmo parar de usar drogas mas,
a dependência é mais forte e a cada dia o faz mais fraco. Porém, todo dia dou a ele um sopro de vida, estendendo os meus braços em sua direção na esperança de alcançá-lo e
detê-lo com a força do meu amor, mas ele foge. Foge de mim, de si mesmo, da vida e daqueles que o amam.
Filha minha, faça a sua parte e siga sua vida em paz. Eu, em minha infinita sabedoria, dei uma para cada ser humano e reafirmo que para cada ser vivente concedi a lei do livre
arbítrio. Filha minha, ouça o meu conselho de Pai: Ame-o com todas as suas forças, mas não facilite a sua vida com o uso de drogas, porque amor demais também mata. Ame-o,
mais o deixe escolher qual caminho seguir e fique certa de que eu sempre farei o que for melhor. Ore buscando equilíbrio, força, serenidade e conforto através do meu amor.
Recomponha-se para que ele a encontre refeita emocionalmente, quando precisar e, realmente, quiser ajuda.Pense nele com carinho e misericórdia e me entregue a vida dele, todos os dias e me encarregarei de todo o resto.
Filha minha, aquiete o vosso coração, confie, deixando-me agir, porque para mim, não existe caso sem volta,
nem condição sem esperança, eu sou simplesmente o Deus das causas impossíveis.
Por: Darléa Zacharias
Trecho do livro Inimigo Oculto, foco,
força e fé
“Deus meu, oriente-me nesta causa,pois sei que para ti, não é perdida.”
Senhor dê-me uma gota deesperança, apenas uma luz."
Um dia, sonhei em constituir uma família e quando ela veio,vivi por ela e para ela e hoje depois de tantas
lutas, vejo todos os dias o meu sonho de família feliz esvaindo-se de mim.
Deus, eu acho que adormeci no tempo e quando acordei, não gostei do que vi, pois percebi que meus sonhos estavam espalhados pelo chão e eu tentei recolhe-lhos, mas não consegui, por que pensei ser tarde demais. E, enquanto eu lutava para
reunir os meus cacos, a minha família ruía. Deus, deparei-me com uma pessoa estranha a meu lado. E, ao olhá-lo mais de perto, por alguns instantes, quase não o reconheci e
constatei com tristeza que falhei ao tentar ajudá-lo, mergulhando de cabeça no dissabor da perda e na
corrente das mães desesperadas, desamparadas e desprovidas de esperança.
Deus tenho o sentimento de culpa como fiel escudeiro, porque não sei ao certo o que eu, como mãe poderia ter feito para modificar o triste quadro em que me encontro agora, porque me sinto vazia, confusa e infeliz. Ao lembrar-me do meu filho brincando há poucos dias, fechei os meus olhos e vi que ele ainda usava roupa de escola e corria pelo quintal, sorridente e feliz.Porém, quando abro os meus olhos, vejo o sorriso da minha cria,dia após dia se apagando.
Deus, aparentemente ele cresceu, mas à medida que usava drogas os seus objetivos encolheram, e tudo aconteceu tão depressa que mal percebi que os seus brinquedos foram
abandonados em um canto qualquer.
Percebi que, daquela criança linda e arteira, nada restou. Deus, faço-lhe agora a pergunta que teima em não calar:em que momento do caminho o meu filho se perdeu? Por que eu não estava lá? E, se eu estava tão perto porque não vi as coisas tomarem a proporção que tomaram? Como ele conseguiu se esconder de mim?
Deus, meu, sei que sempre lhe dei o melhor de mim, dos meus anos e dias, inclusive, dei-lhe também toda a minha força e alegria. Ensinei-lhe valores e dei exemplos claros de
honestidade, sonhando em fazer dele um grande homem, e parti de encontroa este sonho. Mas, vi que este sonho era só meu... Só agora vejo que sonhei sozinha. Porque ele
rejeitou tudo que lhe dei e, com tempo de uso, perdeu a sua
capacidade de amar e sonhar. Deus estou aqui chorando devido as suas partidas bruscas, rumo à insanidade.
Senhor, por favor, dizei-me o que fiz de certo e errado, preciso saber. Não me esconda nada, pois, por mais dura
que seja a minha realidade, sei que ainda posso suportar um pouco mais de dor. Porque nada pode ser pior do que conviver com culpa e a dúvida que me atormentam noite e dia. Diga-me senhor, onde errei? Foram brinquedos demais ou de menos?
Foram ditos muitos sim e poucos não? Foi falta de castigo, conversas abertas e longos diálogos? Fui permissiva e muito passiva? Amei demais ou de menos? Vigiei pouco ou em demasia? O que faço senhor?
Choro paralisada e espero o trágico final ou luto por ele com as poucas forças que ainda me restam?
Confesso que já não sei mais o que fazer, porque me sinto tão confusa e o meu coração sangra, pois, por mais que pense incansavelmente em uma saída, não encontro respostas. Não consigo encontrar o fio da meada onde tudo começou, contorceu e se perdeu.
Deus, já perdi as contas das vezes que eu o procurei pelas madrugadas e não encontrei. Já chorei, implorando para que ele me ouvisse, pedindo em desespero para que ele deixasse as drogas. Eu me arrastei, gritei, ameacei,tranquei, amaldiçoei, mas nada funcionou. Tudo me parece como sempre e, confesso que, a cada
dose, só piora. Nada acontece, Senhor. Sou testemunha ocular de um suicídio passional, profundo e lento.
Deus, posso ver os cortes profundos, sangrando e vertendo incessantemente daquela alma vazia.
O que acontece, Senhor? O meu filho não me ama? O medo e a dúvida tomam conta de mim e a minha mente oscila sob o efeito bumerangue da vil decepção. Senhor, quantas perguntas vazias e perturbadoras e, eu aqui, sem resposta e esperança aparente.
Pergunto-lhe: Por que tenho que passar por isso meu Deus. Onde exatamente errei? Dei-lhe escola, apoio, ombro. Mas, ele virou as costas para tudo que lhe ofertei.
Esqueceu-se de mim, de si, dos amigos, dos estudos, perdendo o anseio pela própria vida.
Senhor quantas madrugadas não durmo rolando na cama, sem sono e
pensando onde ele está. Eu choro quando vejo o seu lugar vazio à mesa, e me pergunto:será que ele já comeu? Será que está bem? A sua vida está segura? Será que o verei de
novo? Não sei o que pensar e a minha cabeça gira quando imagino que já não há mais nada a fazer a não ser esperar pelas trágicas e inevitáveis notícias. Deus, muitas vezes, choro escondida e amargurada, escondo o meu rosto, na tentativa de que não vejam o tamanho do meu sofrimento.
Choro quando alguém me pergunta por ele, porque sei que, como mãe, eu deveria saber onde o meu filho está, e não sei. Penso que cheguei ao fim da linha, porque preferiria morrer ao vê-lo assim, em queda livre, andando cegamente em direção ao precipício. Deus, todos os dias eu rezo para que ele não fique preso nos braços da morte.
Senhor, tu que amaste o seu filho incondicionalmente, mas o
entregaste ao sacrifício, por favor, não tire o meu filho de mim. Dê a ele mais uma chance.Tu bem sabes, Senhor, que ele era uma pessoa feliz, mas a droga o transformou em uma pessoa que ele não queria ser. Ela o levou a fazer coisas que ele não queria fazer. Com o tempo de uso de drogas, o monstro assumiu e o meu filho, praticamente desapareceu. Digo isso, porque via o seu sofrimento a cada chegada. Hoje, ele já não vem mais, porque se entregou às drogas de uma forma covarde e absurda.
Abdicou de si mesmo, do meu amor e da própria vida. Senhor, estou disposta a fazer o que for preciso para ter o meu filho de volta. Diga- me qualquer coisa, que imediatamente farei. Deus, fique comigo, me conduza enquanto eu andar por este caminho desconhecido e sombrio. Apenas não me deixe acreditar que estou só.
Deus, eu preciso de um filete de esperança e dizendo-me que me escutas quando oro e que ao dormir atribulada em meio a lágrimas e soluços, tu consolas o meu coração.
A resposta de deus
“Filha minha, não lhe afogues no desespero, nem em desesperança.
Por mais duro que seja a realidade do seu filho, deverá, deixá-lo sentira dor que tiver que sentir, porque não poderás tomar as chibatadas da vida por ele, e não conseguirás, de forma alguma, tomar para si o seu fardo, nem modificar o que ele não quiser que seja mudado. Por isso, siga a sua
vida sem culpa.
”Eu, em minha magnitude e benevolência, não posso impedi--la de sofrer, mas posso amenizar a sua dor quando afirmo que a vida de seu filho já está em minhas mãos.
Eu observo todos os seus passos e o protejo e, mesmo não aprovando os seus comportamentos, o perdoo constantemente. Sei que a capacidade de percepção de seu filho está abalada. Mas, ainda existem aqueles raros momentos em que ele se questiona, e vem até mim perguntando: Deus, até onde vale à pena continuar assim? Então, digo-lhe, mansamente que ele pode parar
com todo este sofrimento quando quiser, mas, como sempre,mostra-se incrédulo na própria capacidade de
superação. Dias desse, eu o vi cabisbaixo e chorando. Ele me pedia
coragem para sair do estado deplorável de degradação em que se colocou. Pedia-me para modificar a sua vida. Chegou até mesmo implorar para eu o levasse comigo, pois não aguentava mais sofrer.
Muitas vezes, ele lembra-se de mim.
Na calada da noite, nos becos e nas horas de perigo, ele me diz: meu Deus, se me livrar dessa, nunca mais vou usar drogas! Porém, são apenas promessas vazias. Nestas horas, ele realmente acredita em suas promessas,mas logo depois, as esquece. Quando o livro do perigo, ele recomeça todo o processo de destruição novamente, Eu sempre estou lá e observo tudo como pai zeloso que sou. Muitas vezes, quando ele pensa que está sozinho, eu o carrego em meus braços e o coloco a salvo, concedendo-lhe a oportunidadede mais um recomeço.
Mãe, não pense que seu filho não a ama. Sei que ele lhe parece tão incessível, mas age assim porque os seus sentimentos estão adormecidos por causa das drogas. Mas posso assegurar-lhe que ele não a esqueceu, porque dentro de seu peito ainda pode senti-la e, quando você chora, por um instante, em um lampejo de sanidade, o coração dele
chora também.
Às vezes, ele pensa: Será que ela já está dormindo? O que vou dizer se ela gritar ou me amaldiçoar quando eu chegar em casa drogado? Que tipo de mentira desta vez terei que inventar?
Será que ela ainda me ama? Filha minha, ele está cansado demais, mas não se rende. Às vezes, ele promete a si mesmo parar de usar drogas mas,
a dependência é mais forte e a cada dia o faz mais fraco. Porém, todo dia dou a ele um sopro de vida, estendendo os meus braços em sua direção na esperança de alcançá-lo e
detê-lo com a força do meu amor, mas ele foge. Foge de mim, de si mesmo, da vida e daqueles que o amam.
Filha minha, faça a sua parte e siga sua vida em paz. Eu, em minha infinita sabedoria, dei uma para cada ser humano e reafirmo que para cada ser vivente concedi a lei do livre
arbítrio. Filha minha, ouça o meu conselho de Pai: Ame-o com todas as suas forças, mas não facilite a sua vida com o uso de drogas, porque amor demais também mata. Ame-o,
mais o deixe escolher qual caminho seguir e fique certa de que eu sempre farei o que for melhor. Ore buscando equilíbrio, força, serenidade e conforto através do meu amor.
Recomponha-se para que ele a encontre refeita emocionalmente, quando precisar e, realmente, quiser ajuda.Pense nele com carinho e misericórdia e me entregue a vida dele, todos os dias e me encarregarei de todo o resto.
Filha minha, aquiete o vosso coração, confie, deixando-me agir, porque para mim, não existe caso sem volta,
nem condição sem esperança, eu sou simplesmente o Deus das causas impossíveis.
Por: Darléa Zacharias
Trecho do livro Inimigo Oculto, foco,
força e fé
sexta-feira, 21 de março de 2014
MEU PAI...
Olá amigos queridos!!!
Aqui em casa está tudo bem graças a Deus, maridão trabalhando sozinho e só por hoje esta limpo, está bem e lutando para viver uma vida saudável, vejo pequenos progressos dia após dia, já até se matriculou em uma academia para começar a se exercitar...Enfim eu e minha filha estamos bem, netinho chega em junho e aguardamos ansiosos a chegada deste anjinho ou anjinha( fizemos a ultrassom e o bebe estava sentado) que com certeza trará muita paz e alegria para nossas vidas...Hoje vou falar um pouco de meu paizão, que já não está mais aqui, foi morar com Papai do céu...
Dia 20 de fevereiro que passou, fez 1 ano que meu pai foi morar com Deus, e daqui a 2 dias, seria o aniversário dele, completaria 74 anos...Saudades!!
Estava me recordando de minha infância e parte de minha adolescência, o quanto sofri por meu pai ser dependente do álcool, naquela época jamais imaginei que ele fosse uma pessoa doente, um alcoólatra, por este motivo passei grande parte de minha vida, com muita mágoa de meu pai, tinha muito medo e também um pouco de preconceito, pois não entendia porque minhas amiguinhas(os) podiam ter suas famílias, com pais e mães ''normais'', e eu não. Infelizmente grande parte da sociedade, julgam os alcoólatras, como bêbados, vagabundos e marginalizam os adictos, como se fossem bandidos, ou sem vergonhas, que não param com o vício por não terem força de vontade. Não enxergam a adicção como doença grave, como de fato é.
Lembro-me que morávamos eu, minha avó e meu pai, eu e minha avó estávamos completamente adoecidas pela convivência com meu pai e sua adicção ativa.
Naquela época nem imaginávamos que éramos codependentes, nunca havia ouvido falar sobre esta doença ''codependencia''.
Quando me recordo de meu pai, lembro-me de momentos felizes que tive em minha infância quando ele estava sóbrio, infelizmente estes momentos eram raros, pois pelo que me lembro, meu pai bebia quase todos os dias...Minha avó, se desesperava ao ver a situação de meu pai, e nós ficávamos planejando mil maneiras que fizesse que ele maneirasse com a bebida...
Apesar do vício, meu pai era uma pessoa extremamente responsável e sempre trabalhou até se aposentar.
Quando meu pai bebia, ele sempre ficava muito agressivo, nervoso, intolerante. Tínhamos que viver ''pisando em ovos'' em casa, pois qualquer comportamento ou atitudes que ''ele'' colocava em sua mente que estivessem errados, já era motivos para brigas, gritos e agressões...
Minha avó sempre foi muito católica, passava horas rezando, fazendo novenas, na tentativa de que ele largasse a bebida, passava dias chorando, indo atrás dele em bares, jogando as bebidas dele fora... Tudo na expectativa de que ele parasse de beber.
Nem minha avó e muito menos eu, achávamos que meu pai estava doente, que ele era um adicto e que tinha uma doença reconhecida pela Organização Mundial de Saúde, que é o alcoolismo.
Não imaginávamos a dimensão desta doença que mata milhões de pessoas todos os anos no mundo.
Pensávamos que era sem-vergonhice dele o fato de ele não parar de beber, não imaginávamos que ele lutava todo dia contra este vício terrível, nós víamos que ele conseguia passar alguns poucos dias sóbrio, mas ficava terrivelmente nervoso ( crises de abstinência) e logo voltava a beber novamente.
Quando meu pai estava sóbrio, vivia me pedindo perdão pelas coisas que fazia quando estava bêbado.
Não consegui perdoar meu pai quando criança, nem quando adolescente, achava que tudo que ele fazia era pura maldade, nunca consegui enxergar a doença, apenas o perdoei quando me casei e convivi com a adicção de meu marido, quando vivi na pele a experiência de amar um adicto, quando comecei a pesquisar sobre este assunto e entendi que realmente o alcoolismo e a dependência química, são doenças, incuráveis, progressivas e fatais, reconhecidas pela Organização Mundial de Saúde...
Depois que me casei, meu pai adoeceu e como eu era filha única, o levei para morar comigo e pude conviver com meu pai em seus últimos anos de vida.
Nestes anos Deus me deu a oportunidade de conhecer mais meu pai, meu pai sem o vício, meu pai sóbrio, meu pai como realmente ele era.
Descobri que, ao contrário do que eu pensava, meu pai tinha muito amor por mim, descobri que ele sempre carregou uma grande culpa por todo mal que ele nos fez em consequência do seu vício.
Por um período nos tornamos amigos e confidentes, e quando ele descobriu a adicção de meu marido, jamais julgou, e se propôs a me ajudar qual fosse minha decisão...
Em momentos difíceis, que meu marido recaia, era meu pai que estava ao meu lado sempre me dando a maior força, criamos um relacionamento de amor e carinho que nunca havíamos tido em minha infância e adolescência, fui aprendendo a perdoar e amar meu pai pelo ser humano que ele realmente era, com suas qualidades e também com seus defeitos.
Depois de alguns anos que estávamos morando juntos, descobri que meu pai estava com Alzheimer, a doença é degenerativa e a pessoa vai perdendo gradativamente a memória...
Aos poucos fui me despedindo de meu pai em vida, ele deixava aos poucos de ser meu pai, para se transformar praticamente em um filho para mim.
Aos poucos ele ia esquecendo de tudo, de minha filha, de mim, dos amigos, ia se transformando em uma criança, com comportamentos e atitudes infantis, determinada fase da doença, ele me chamava de ''mãe'', já não me reconhecia em momento algum e acredito que porque eu o trocava, dava banho e o alimentava, ele me relacionava com a mãe, na cabeça dele.
Durante todo este tempo que convivi com meu pai, fui aprendendo a ama-lo e conhece-lo cada dia mais, acredito que tudo que acontece em nossas vidas, não ocorre por acaso, tudo tem um motivo, tem um porque.
Talvez a maneira que Deus achou de me aproximar de meu pai, perdoa-lo e ama-lo, foi através da doença dele e de meu marido, só consegui entender realmente que meu pai era doente, que suas atitudes quando estava alcoolizado não eram intencionais e sim consequência de sua adicção, consegui enxerga-lo como um ser humano normal, assim como eu e você, que simplesmente tinha uma doença, que fazia ele perder o controle de sua própria vida. Entendi que ele não era um sem vergonha, ou sem moral, vagabundo, ou simplesmente um bêbado, como as pessoas insistiam em rotular.
Ele era meu pai, um adicto, um homem com muitas qualidades, e também defeitos, mas que mesmo doente conseguiu trabalhar sua vida toda e se aposentou por tempo de serviço, apesar de sua doença, nunca se entregou, e de sua forma sempre lutou para ter uma vida normal, era alegre, inteligente e tinha uma educação fora de série, colocava muitos não adictos no bolso...
Hoje quando falo de meu pai, não lembro dos maus momentos que passamos por causa da adicção, hoje quando me lembro dele, é com saudades, com ternura e carinho, e com a felicidade, de poder ter convivido com ele nos últimos anos de sua vida e conhece-lo como realmente ele era.
Hoje agradeço a Deus por ele ter sido meu pai, por tudo que ele me ensinou. Mesmo tendo a doença da adicção, ter cuidado de mim e nunca ter me deixado faltar nada. Agradeço a Deus por ter me permitido passar por tudo isso, pois através do que passei, hoje me tornei um ser humano melhor, um ser humano que ama mais ao próximo, que não julga e não tem preconceito com seu semelhante, que entende que não existe ninguém perfeito, que todos nós de uma forma ou de outra temos nossos defeitos, que ninguém é melhor que ninguém, e aos olhos de Deus, somos todos iguais, e ele nos ama da mesma forma.
Hoje te agradeço e me recordo com saudades....Obrigado por tudo pai, sempre vou te amar!!! SAUDADES.....
sexta-feira, 7 de março de 2014
Carnaval em paz.......
Olá meus queridos, tudo bem com vocês? por aqui tudo em paz só por hoje, carnaval abençoado, passamos em casa assistindo filmes e visitei a mamis...rsrs
Meu familiar adicto se encontra trabalhando ''sozinho'', graças a Deus e eu tenho podido contemplar a graça de velo indo e vindo trabalhar todos os dias sem as recaídas...Engraçado, para a maioria do mundo isto é normal , mas para nós, esposas e familiares de adictos é tudo tão inconstante, tão incerto, quando as coisas andam nos eixos até estranhamos...Eita doencinha que deixa a gente doida....
Bom tenho novidades, finalmente esta semana eu irei começar fazer uma coisa que a muito tempo sonhava em fazer, mas como trabalhava com meu marido o tempo todo, nunca tinha tempo para mim...
Vou começar a fazer academia....Cuidar de mim...Estou muito feliz, para mim é uma grande conquista, aprendi a valorizar cada momento e cada realização por menor que seja, pois são raros os momentos de paz...
As coisas melhoraram muito para mim, pois agora ele trabalha o dia todo, e chega só a noite, assim muitas das discussões são evitadas e também não presencio mais tantas crises de abstinência e ataques de grosseria por motivos tão banais que nem vale a pena relatar para vocês...
Só passei mesmo para dizer que sobrevivi ao carnaval...ebaaaaaa.....e to feliz por isso.
E vamos vivendo um dia de cada vez..Bons momentos e muita paz e serenidade a todos.
Beijos no <3 de todos e amo a todos incondicionalmente....
Meu familiar adicto se encontra trabalhando ''sozinho'', graças a Deus e eu tenho podido contemplar a graça de velo indo e vindo trabalhar todos os dias sem as recaídas...Engraçado, para a maioria do mundo isto é normal , mas para nós, esposas e familiares de adictos é tudo tão inconstante, tão incerto, quando as coisas andam nos eixos até estranhamos...Eita doencinha que deixa a gente doida....
Bom tenho novidades, finalmente esta semana eu irei começar fazer uma coisa que a muito tempo sonhava em fazer, mas como trabalhava com meu marido o tempo todo, nunca tinha tempo para mim...
Vou começar a fazer academia....Cuidar de mim...Estou muito feliz, para mim é uma grande conquista, aprendi a valorizar cada momento e cada realização por menor que seja, pois são raros os momentos de paz...
As coisas melhoraram muito para mim, pois agora ele trabalha o dia todo, e chega só a noite, assim muitas das discussões são evitadas e também não presencio mais tantas crises de abstinência e ataques de grosseria por motivos tão banais que nem vale a pena relatar para vocês...
Só passei mesmo para dizer que sobrevivi ao carnaval...ebaaaaaa.....e to feliz por isso.
E vamos vivendo um dia de cada vez..Bons momentos e muita paz e serenidade a todos.
Beijos no <3 de todos e amo a todos incondicionalmente....
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
VICÍADAS EM VICÍADOS
Companheiras de dependentes químicos podem apresentar transtornos semelhantes às doenças de seus parceiros
Adriana, 35 anos, Fábia, 15, Romina, 33, Angélica, 29 estão em tratamento por causa da dependência química sem jamais terem tido algum problema pessoal com bebida alcoólica ou com qualquer outro tipo de droga.
Para que experimentem os dissabores de seus “vícios”, basta assistirem a seus maridos ou namorados exagerarem no álcool, sumirem dias para consumir crack e cocaína ou voltarem para casa maltrapilhos após horas e horas passadas no bar.
Na posição de espectadoras da dependência, estas mulheres, moças e senhoras, percebem que são prisioneiras de um transtorno tão exigente e avassalador como a doença de seus parceiros.
Na literatura especializada e nos consultórios clínicos, o comportamento delas é chamada de “codependência”, transtorno majoritariamente feminino que é despertado – em sua maioria – nas relações afetuosas com dependentes químicos.
Máscaras
“Ora a gente acha que é super-heroína, ora que é vítima da situação. Vamos desempenhando esta troca de papéis e, quando nos damos conta, se é que um dia nos damos conta, já não temos vida própria. Somos movidas a nos dedicar ao outro e, por um momento, gostamos disso”, afirma Romina Miranda Cerchiaro, em recuperação da sua codependência há sete anos.
Depois de pedir a separação do companheiro que tinha problemas com o álcool, Romina desconfiou de que apresentava sinais clássicos de dependência daquela situação que tanto dizia “não aguentar mais”.
“Percebi que se não procurasse ajuda iria continuar com o mesmo comportamento destrutivo, repetindo os mesmos erros, ainda que em outro relacionamento”, conta ela, que é jornalista, escritora e tornou-se pesquisadora da área de codependência.
A conscientização de sua situação fez com que Romina procurasse ajuda especializada e também tivesse vontade de ajudar outras mulheres que viviam dramas como o seu de forma anônima. Hoje, ela organiza grupos de autoajuda em todo o Brasil.
O Delas acompanhou uma destas reuniões, em uma noite chuvosa na capital paulista. No encontro, todas as outras participantes pediram sigilo sobre seu nome e sobrenome. Não era apenas a vergonha que motivava a insistência pelo anonimato. É que o processo para assumir a codependência é tão complexo como o enfrentado para admitir o vício. Existe, primeiro, a negação.
Romina Cerchiaro reconheceu que era codependente, estudou o assunto hoje ajuda outras mulheres
Não é amor?
Fábia, estudante do primeiro ano do ensino médio da capital paulista, garota de rosto infantil e de cabelos quase até a cintura, era exemplo de toda a complexidade que significa assumir o transtorno da codependência na reunião acompanhada pela reportagem. Aos 15 anos, ela poderia abandonar o primeiro namorado, em recuperação do vício de cocaína, e desfrutar de sua juventude em baladas e viagens para o Guarujá. “Mas eu simplesmente não consigo deixar para trás meu namorado, mesmo já tendo sido humilhada, traída e largada para escanteio tantas vezes”, diz.
Ao mesmo tempo em que admitia ser dependente daquela situação, a menina questionava se o seu comportamento não era “só resultado de seu amor”, dúvida que passa pela cabeça da maioria das companheiras e que serve de justificativa para não procurarem ajuda.
“O que tentamos reforçar em nossos encontros é que o sentimento serve de muleta para o comportamento destrutivo”, explica Romina. Segundo ela, não é raro as mulheres mais experientes, que já passaram por outros relacionamentos, se darem conta de que seus namorados antigos também eram dependentes químicos ou tinham algum outro tipo de compulsão, como vício em sexo ou no trabalho.
“Nosso objetivo não é fazer com que elas abandonem seus companheiros. Mas, sim, com que procurem ajuda para si”, acrescenta Romina.Os especialistas acreditam que a codependência não traz apenas danos às mulheres mas também pode influenciar, negativamente, no processo de recuperação do dependente químico.
“Por isso, é tão importante que o acompanhamento psicológico seja estendido à família do dependente. É só desta forma que o apoio familiar traz efeitos positivos”, afirma Camilla Magalhães, diretora e pesquisadora do Centro de Informações sobre o Álcool (Cisa).“Por vezes, quando esta mulher toma para si o controle da situação, ela pode cobrar resultados, tornar o processo mais angustiante ou ainda minimizar a dependência do seu companheiro, todas consequências perigosas no tratamento de ambos.”
“Tudo na minha vida”
Se para o dependente de álcool uma taça de vinho pode ser encarada como uma forte tentação – e além de um motivo para a recaída – para o comportamento destrutivo da codependência se manifestar, define a administradora de empresa Adriana, 35 anos, é só ouvir a frase “por favor, me ajuda”.
Adriana é mãe de um garoto de 16 anos e, apesar da rotina apertada de mais de 14 horas de trabalho diário, achou espaço para “uma coleção de relacionamentos destrutivos em série com homens compulsivos.” Os favores pedidos pelas pessoas com quem ela se relaciona são suficientes para a administradora largar tudo que está fazendo – emprego, diversão, sono, filho – e tentar ajudar quem solicitou sua ajuda.
Seria apenas uma postura nobre e altruísta se, entre estas solicitações, não estivessem pedidos que agravam não só a dependência do parceiro, como colocam a própria pele destas mulheres em risco, conforme conta a professora do ensino primário, Angélica, 29 anos.
Escutar que são a razão da vida de seus namorados torna mais difícil negar o pedido por dinheiro, mesmo eu sabendo, lá no fundo, que o destino das notas é a cocaína. “É isso que também me faz buscá-lo altas horas da madrugada na boca de fumo, sabendo que eu posso virar a presa do traficante e até morrer. Semana passada, meu coração ficou partido. Fui buscar meu namorado na biqueira (ponto de tráfico) e no caminho encontrei um aluno meu. Eu estava exposta e expus aquela criança. É a minha carreira, sabe? É difícil saber que não consigo pensar em mim".
Violência
Além das súplicas e juras de amor, existe outro “ingrediente” que agrava a situação da codependência: a violência. Uma pesquisa realizada no ano passado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) entrevistou 7 mil famílias de 108 cidades brasileiras e atestou que em quase metade (49,7%) dos núcleos familiares que vivenciaram agressões domésticas, o agressor estava embriagado.
Mas no caso dos dependentes químicos, daqueles que bebem de forma sistemática, existe uma situação pouco abordada. “Na maioria das vezes, é a ausência do álcool (ou de outra droga) que faz a violência se manifestar”, afirma a pesquisadora do Cisa, Camilla Magalhães.
“Oferecer a bebida ao parceiro pode significar trazer de volta a paz para casa. Já acompanhei várias companheiras de dependentes que declararam que o marido ou namorado fica mais romântico e bonzinho quando bebe (ou usa outra droga). Tudo isso pode interferir, ainda que de forma inconsciente, na relação dela com a abstinência dele.”
Tentando ser heroínas, elas podem acabar vilãs.
Os especialistas já estudaram a codependênica. A maior parte das portadoras, no entanto, só procura ajuda para o parceiro
Esta dificuldade em estabelecer limites, em se colocar em primeiro plano, em enxergar as próprias fraquezas escondidas na doença de seus amores faz com que as codependentes fiquem à margem de ajuda especializada, pesquisas e foco de atenção da família e dos amigos.Os grupos de autoajuda acabam como único abrigo e um deles, os Codependentes Anônimos do Brasil (Coda), tem como lema o “só por hoje", tão salvador e utilizado na recuperação de alcoolistas e narcóticos. Nas reuniões anônimas dos codependentes, eles repetem ao final de cada encontro a frase: Só por hoje, eu sou a pessoa mais importante da minha vida”.Romina Cerchiaro assimilou essa filosofia de vida que em nada tem relação com egoísmo. O desafio agora é encarar o frio na barriga, tão comum em cada nova paixão, como uma sensação natural. A paixão não precisa ser doença.
Como identificar
As perguntas a seguir servem para identificar possíveis padrões de codependência, definidos pelo Coda. Se você apresenta pelo menos dois deles, procure ajuda para conversar sobre isso.
- Você se sente responsável por outra pessoa? Pelos sentimentos, pensamentos, necessidades, ações, escolhas, vontades, bem-estar e destino dela?
- Você sente ansiedade, pena e culpa quando outras pessoas têm problemas?
- Você se flagra constantemente dizendo "sim" quando quer dizer "não"?
- Você vive tentando agradar os outros em vez de agradar a si?
- Você vive tentando provar aos outros que é bom o suficiente? Você tem medo de errar?
- Você vive buscando desesperadamente amor e aprovação? Você se sente inadequado?
- Você tolera abuso para não perder o amor de outras pessoas?
- Você sente vergonha da sua própria vida?
- Você tem a tendência de repetir relacionamentos destrutivos?
- Você se sente aprisionado em um relacionamento? Você tem medo de ficar só?
- Você tem medo de expressar suas emoções de maneira aberta, honesta e apropriada?
- Você acredita que se assim o fizer ninguém vai amá-lo?
- O que você sente sobre mudar o seu comportamento? O que impede-lhe de mudar?
- Você ignora os seus problemas ou finge que as circunstâncias não são tão ruins?
- Você vive ajudando as pessoas a viverem? Acredita que elas não sabem viver sem você?
- Tenta controlar eventos, situações e pessoas por meio de culpa, coação, ameaça, manipulação e conselhos, assegurando assim que as coisas aconteçam da maneira que você acha correta?
- Você procura manter-se ocupado para não entrar em contato com a realidade?
- Você sente que precisa fazer alguma coisa para sentir-se aceito e amado pelos outros?
- Você tem dificuldade de identificar o que sente? Tem medo de entrar em contato com seus sentimentos como raiva, solidão e vergonha
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