sexta-feira, 27 de junho de 2014

Viva e deixe viver...



Olá queridos(as) leitores(as) do blog.
Como vocês estão? Espero que tudo bem...
Por aqui tudo na mais perfeita paz...

Meu familiar adicto segue limpo a alguns dias, finalmente ele tem conseguido se manter sóbrio sem ''cervejinha'' no final de semana. Nem mesmo no ultimo jogo da seleção ele caiu em tentação, apesar de estarmos assistindo o jogo na casa de meus familiares e lá todos estarem bebendo.
Acreditem, para ele isso é uma vitória. Quem acompanha o meu blog sabe que meu marido é dependente cruzado e a maior dificuldade de meu marido não é com as drogas e sim com o álcool, as drogas é apenas uma consequência do uso abusivo do álcool, visto que um adicto não deve tomar nem mesmo em pequena quantidade. ''EVITE O PRIMEIRO GOLE''
Bem, nós estamos todos bem, e por aqui estamos tendo felizes 24 hs de paz.
Quando cada um toma as rédeas de sua vida e cumpre cada qual seu papel, tudo flui perfeitamente bem..

E qual é o nosso papel?

O seu papel de ajudar alguém, não é o de fazer coisas por esse alguém, mas sim, o de ser e não o de tentar treinar e modificar as ações de alguém, mas treinar e modificar as suas próprias ações e reações. À medida que você as modifica de negativas para positivas – ex.: o medo pela fé; o desprezo pelo que ele faz, para respeito pelo potencial que existe dentro dele; a rejeição pelo desligamento com amor, deixando de tentar enquadrá-lo num determinado padrão ou imagem; ou ficar na expectativa dele estar acima ou abaixo destes padrões, mas dando uma oportunidade dele se tornar ele mesmo, dele desenvolver o que há de melhor nele mesmo, sem se incomodar no que isto venha a ser; modificando o domínio por encorajamento, o pânico por serenidade; a falsa esperança e egocentrismo por esperança verdadeira baseada no Poder Superior; trocando a revolta do desespero pela energia da evolução pessoal; em vez de dirigir - guiar; mudando auto-justificação em auto-compreensão. Na medida que você alcança estas modificações o mundo e as pessoas à sua volta também mudam para melhor.
Auto-piedade bloqueia ações efetivas. Na medida que afundamos na auto-piedade achamos que a solução para nossos problemas, está na mudança dos outros ou no mundo ao nosso redor e não em nós. Assim nos tornamos um caso perdido.
A exaustão é o resultado do uso da nossa energia em remoer o passado com arrependimento ou tentar encontrar meios de escapar de um futuro e ficar obcecado por esta imagem, com medo que ele venha à acontecer; isto pode esgotar toda a nossa energia e nos deixar impossibilitados de viver o dia de hoje. No entanto viver este dia, é a única maneira de se ter uma vida.
Não se preocupe com as ações futuras dos outros. Tão pouco espere que eles piorem ou melhorem à medida que o tempo passa, pois estas expectativas são pura criação e este é um trabalho de Deus, não seu; quando o homem tenta criar vida, ele só cria monstros. Somente o amor pode criar. Ame e deixe viver.
Lembre-se: todos estão sempre mudando. Quando julgamos alguém, nós os julgamos pelo que acreditamos conhecer sobre eles, falhando em reconhecer que há muito sobre eles que não conhecemos e que as pessoas estão constantemente mudando numa tentativa de lidarem melhor com a vida. Dê crédito aos outros, mesmo quando estão todos em conflito; dê-lhes crédito pelas tentativas de progredir, mesmo quando seu progresso não seja aparente; e acima de tudo dê-lhes crédito por terem conseguido muitas vitórias desconhecidas. Somos todos feitos da mesma matéria, apesar de formas diferentes.
Lembre-se: você também está sempre mudando e você pode direcionar esta mudança conscientemente se assim o desejar. Você pode se modificar - aos outros você só pode amar.
Um bom fim de semana a todos...AMO TODOS INCONDICIONALMENTE!!!

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Como ajudar um dependente químico














Tente manter a calma e principalmente procure entender sobre a doença.
Segue abaixo algumas idéias de conduta a ser seguida pelos familiares:
Tenha uma Conversa Franca, Sincera e Leal com Ele.
Comprovado o fato, tenha calma. É comum os parentes do dependente entrarem em desespero e perderem a calma. Jamais tome esta atitude. Comprovado o fato, sente-se com ele. Mostre que você deseja o bem dele como um amigo. Nesta conversa procure saber tudo. Qual droga utiliza, quanto tempo usa. Não fique chocado diante das informações, aja com naturalidade. Não o discrimine chamando-o de viciado, marginal, maconheiro, nem faça ameaças a ele. Neste momento é comum a família se culpar, não pense assim, este problema acontece em toda sociedade. Dê a ele amor, compreensão e apoio. Seja amigo dele!

Procure Apoio Técnico Para o Tratamento de Seu Familiar adicto, Não Deixe Para Depois.

Após saber tudo nesta conversa, e ele desejar ajuda procure apoio técnico. Os familiares devem procurar ajuda para se tratar.
Todos que convivem, com o dependente ficam doentes emocionalmente. Existem grupos de ajuda específicos para familiares. Trate-se!
Existem também grupos de ajuda para os dependentes. É ai que vamos levar o usuário.
O dependente só irá livrar-se das drogas se ele quiser.
Caso não queira a ajuda, o tratamento é sem efeito. Neste caso ainda existe esperança. Os grupos de familiares ensinam como agir e até como conduzir o usuário aos grupos de ajuda como o N.A. A família precisa tratar-se, e lembre-se, nunca permita que seu filho use drogas em sua casa, não libere, não seja neutro, pois poderá perde-lo.
Não esqueça, é sério. Se ele não quiser tratar-se, trate-se!

Compreenda a Luta Dele

Aquele que quer ajudar um dependente, precisa ter muita paciência e preparar-se para lutas e frustrações. Já observei muitas vezes os parentes com alegria declararem que os seus pararam de se drogar, busco neste momento pedir calma. Pois a coisa é bem mais difícil do que parece. Mas diante do que não conhecem declararam: “Não! Desta vez ele parou.
Muitas vezes no processo da recuperação, acontecem recaídas. É entendido que a recaída faz parte da recuperação, caso seja retomado imediatamente o programa de tratamento. Quando ocorre a recaída, o sentimento de derrota do dependente é grande, e isto é o suficiente como punição. Neste momento sua atitude fará a diferença. Aja com naturalidade, sem cobranças e busque o momento exato para conversar sobre o assunto.
Muitas vezes o silêncio diz tudo. Bem ordenado e com compreensão o trabalho será recompensado.



sexta-feira, 20 de junho de 2014

Em paz comigo!!!!

Olá Queridos(as) leitoras(es)!
Espero que esteja tudo bem com vocês...
Quero desculpar-me pela ausência, andei sumida porque aconteceram muitas coisas desde o ultimo post.
Uma delas é que minha netinha finalmente veio ao mundo no ultimo dia 11/06/2014...
Linda, e graças ao amantíssimo Deus, saudável.
Nasceu as 22:40 com 3.350 quilos e 47 centímetros..Sou muito grata a Deus por mais esta benção em minha família.
Deus sempre cuida de mim nos bons e maus momentos, e mesmo em meio a muitas lutas, sempre se mostrou presente em minha vida. Só tenho que levantar as mãos para o céu e agradecer a Deus por tudo que tem me proporcionado em minha vida e de minha família.
Bom meus queridos(as), neste intervalo entre a ultima recaída e o nascimento de minha neta, meu familiar adicto teve mais uma recaída, trabalhou o dia todo e depois foi assistir o jogo com alguns amigos e como devem imaginar, acabou bebendo e mais uma vez saiu por sua busca insana pelas drogas.
Enquanto a pessoa não se rende, fica difícil dar o primeiro passo em busca de sua recuperação.
Quando o adicto não está em recuperação, qualquer acontecimento é motivo para se drogar... ''Comemorar algo, se frustrar com algo, assistir o jogo da seleção, e por ai vai...
O que posso dizer meus queridos(as), é que apesar dos acontecimentos, nada conseguiu tirar minha paz e alegria com a chegada deste anjinho em meu lar...
Infelizmente ele, está perdendo estes momentos tão preciosos, mais uma vez as drogas roubaram dele momentos inesquecíveis, momentos únicos e que infelizmente não voltam mais, o único que está perdendo é ele...
Fico triste ao vê-lo cometendo tantas insanidades por causa da adicção ativa, mas reservo-me ao direito de não mais me deixar afetar pela doença dele...Hoje preocupo-me com minha doença e em me manter em recuperação, por ele, continuo orando para que acorde deste pesadelo e tenha um despertar espiritual e entre finalmente em recuperação.
Hoje consigo enxergar muitas coisas boas que acontecem em minha vida apesar da adicção dele. Sabemos como é difícil , triste e doloroso toda esta problemática que as drogas causam na vida do adicto e de seus familiares, mas de uma vez por todas precisamos lutar contra esta codependencia e tomar as rédeas de nossas próprias vidas. É possível sim, sermos felizes, tendo o controle absoluto de nossas próprias vidas, não cometendo mais insanidades tentando ser ''os salvadores do mundo''. É possível ser feliz deixando de ter controle sobre a vida do próximo e entender que podemos apenas modificar a nós mesmos.
Bem, quanto á meu familiar adicto, depois que ele chegou de sua ultima recaída, finalmente decidiu que vai procurar algum tipo de tratamento para entrar em recuperação, afinal, ele em tido muitas perdas devido a sua adicção...
Peço a Deus que ele finalmente possa ter um despertar espiritual e possa entrar verdadeiramente em recuperação...Tenho notado que ultimamente ele anda muito depressivo por consequência das insanidades que a doença o faz cometer. Ele realmente anda muito cansado em dar murro em ponta de faca e achar que conseguirá sair desta ''Sozinho''...Uma hora a ficha tem que cair, acredito que há um tempo certo para todas as coisas acontecerem, e cada um de nós temos nosso tempo de ''Despertar'', uns mais rápido, outros mais devagar e uns quase parando, mas todos nós temos nosso tempo.

Tem uma frase da Melody Beattie, que determinei como meta a seguir em minha vida( e tem dado certo)
''O outro pode estragar o seu divertimento, o seu dia, a sua vida- isso é problema dele- mas não deixarei que ele estrague o meu divertimento, o meu dia, a minha vida.''
É isso meus amigos(as), devemos primeiramente cuidarmos de nós e estarmos bem, para que só assim possamos ajudar nosso próximo quando ele quiser ajuda.
Posso dizer que nestes últimos anos, aprendi muito e cresci muito quando decidi cuidar de mim e de minha recuperação.
Definitivamente sou outra mulher, e vejo a vida de forma totalmente diferente de alguns anos atrás, quando estava nas garras da codependencia.
Hoje ainda fico triste, as vezes choro, me preocupo, afinal sou humana, mas não perco noites de sono, não deixo de me alimentar, não saio pelas ruas tentando resgata-lo( salvo umas duas vezes que ele saiu com nosso carro, sim, eu ainda cometo estes erros por acreditar demais) não perco meus compromissos, e isso para mim é uma grande evolução em minha recuperação, sei que tenho muito o que aprender, e cada um de vocês me ensinam dia após dia. Hoje sou feliz por saber que não estou sozinha, tenho vocês, e sinto que somos uma grande família.
As vezes fico magoada com pessoas que se intrometem em meu casamento e em minha vida dizendo que a unica saída é a separação. Acho que cada um sabe onde seu calo aperta, e se eu não quisesse mais, já teria me separado. Sou uma pessoa super a favor da família, e lutarei pela minha enquanto Deus me der forças e eu achar que deva continuar. 
Não sou uma pessoa que age por impulso, muito menos vou pela cabeça de pessoas que tentam controlar minha vida dizendo o que devo ou não fazer. Gosto muito de receber conselhos e até mesmos criticas, mas não permito que ninguém imponha nada em minha vida de como devo ou não devo agir, sigo meu coração e meus instintos, e me orgulho de ser quem sou, essa sou eu.
Como todos vocês que acompanham meu blog já sabem, tenho um familiar que é portador da doença da dependência química, ele não é nenhum bandido, é um homem batalhador, inteligente, que trabalha, de um coração gigante, ou seja, ele tem diversas qualidades, por isso permaneço ao seu lado neste momento tão difícil.
Quem acompanha o blog sabe que ele já logrou por longos períodos de sobriedade, e que por uma fatalidade que aconteceu em nossa família a alguns anos, ele não tem tido forças para se manter em recuperação.
Um dos propósitos deste blog é fazer com que a  grande maioria das pessoas preconceituosas, possam enxergar a adicção como doença e não como defeito de caráter. É mostrar que dependente químico não é um bandido ou desavergonhado, embora alguns possam ser, a grande maioria não são.
Acredito que meu familiar adicto é capaz, e tenho fé que um dia ele vai sair desta. E enquanto eu ver nele este homem por quem me apaixonei a 19 anos atrás eu permanecerei a seu lado, não importando o que as pessoas dizem ou pensam de mim.
Não devemos dar tanta importância ao que algumas pessoas falam ou pensam sobre nós, o que realmente importa é estarmos bem com nós mesmos, com a nossa consciência limpa, e agradarmos a Deus, nem mesmo Jesus agradou a todos, quem dirá uma pessoa falha como eu.
Bem amigos, vou terminando este post, e termino com uma frase que vi no blog de uma amiga querida, a Poly: 

Codependencia não é amor. E se é amor, é um amor adoecido, que faz muito mal a ambos. Não esqueça, ''o amor não é uma luta''!
Vamos ser felizes?




domingo, 1 de junho de 2014

Quando o fim do poço não chega...

Olá meus queridos!!
Como vocês estão? Espero que estejam bem....
Bom como eu disse em meu último post, era questão de tempo para ele ter uma recaída...
Na ultima quinta feira, meu familiar adicto, trabalhou o dia todo e depois, foi diretamente para um churrasco na casa de minha mãe, de lá ele saiu e não voltou para casa desde então...
Apesar de tudo, eu e minha filha estamos bem, estamos participando das reuniões do Amor Exigente de nossa cidade e estamos cuidando de nós e de nossa recuperação.
Estou triste, não posso negar, afinal é impossível que qualquer pessoa, por mais que esteja em recuperação não se entristeça com uma situação destas...
Não tem como evitar que fiquemos preocupados com ele, afinal ele está pelas ruas na sua busca insana pelas drogas. É lamentável o poder que as drogas tem na vida do adicto quando o mesmo não se encontra em recuperação.
Todos nós sabemos que infelizmente para vermos nossos familiares adictos em recuperação, temos que estar preparados para velos  sofrer, isto é muito triste para nós, pois o sentimento de impotência que ficamos é horrível, afinal quando o assunto é adicção, não depende de nós para que o adicto busque ajuda e queira realmente se recuperar.
Apesar de sabermos que não causamos as recaídas, não somos culpados por ela e nem podemos curar, as vezes inconscientemente, acabamos querendo ''controlar'' a vida do adicto, na falsa esperança que de alguma forma estaremos ajudando ou evitando a recaída. Infelizmente sabemos que isto não é possível.
Nada que façamos irá realmente mudar o comportamento deles, e muito menos podemos evitar que eles recaiam.
Na quinta feira, ele me ligou e pediu para que eu o acompanhasse no churrasco na casa de minha mãe, mas como minha filha esta grávida, e quase nos dias de ganhar o bebê, eu não quis ir ao churrasco. Eu fiquei com ela e disse que ele poderia ir sozinho.
Na sexta feira quando amanheceu o dia e ele não havia voltado, me peguei no sentimento de culpa, me perguntando porque eu não fui com ele? Se eu tivesse ido talvez isso não tivesse acontecido...
Na mesma hora me conscientizei que nada do que eu fizesse iria evitar a recaída. Poderia não ser naquele dia, mas certamente ela aconteceria. Então mantive a serenidade e orei por ele, é a unica coisa que ''eu'' posso fazer por ele enquanto ele não pedir ajuda. Não posso muda-lo, só posso modificar a mim mesma.
Algumas vezes me questiono, sobre a situação que ele se encontra. Por que ele não tem logo o despertar espiritual ? o desejo de entrar em recuperação de verdade? Onde esta este fundo do poço que não chega nunca?
Já ouvi algumas vezes, que o fundo do poço de cada um é particular, não tem como medir.
Para alguns determinada situação, como o fim de um relacionamento, é o fundo do poço, outros precisam perder realmente tudo que tem para quererem se recuperar.
Não é como uma receita de bolo, cada adicto pensa e age de forma diferente um do outro. A doença é a mesma, os sintomas são os mesmos, os comportamentos são parecidos, mas definitivamente, o adicto de minha família, não é igual o adicto da sua.
Como eu já disse em outros posts, eu fiz tudo que estou preparada para fazer, para não facilitar o uso de meu adicto familiar. Tirei algumas regalias, nos separamos, não minto mais para ajuda-lo, e  deixo que ele arque com as consequências de seu erro.
Isso para mim particularmente, seria o fundo do poço, mas na visão dele, creio que ainda não foi.
Até o dia de hoje, não me sinto preparada para coloca-lo nas ruas ou me divorciar de uma vez por todas dele. Mas amanhã eu não posso garantir que esta continue sendo minha decisão.
Sempre pedi muita força para Deus. Para me dar perseverança, fé e paciência para passar por tudo isso e agir com assertividade para ajudar meu familiar adicto.
Disse para Deus que continuaria enquanto aguentasse. Me frusta a ideia de perder para as drogas, mas sei que a culpa não é minha. Não sou culpada pelas escolhas de outra pessoa.
Se um dia eu ver que não dá mais, me separo. Hoje, apesar de triste, não permito que ele nos leve para o fundo do poço junto com ele. Já estive lá, para sair não foi nada fácil, por isso busco todos os dias mais conhecimento, tanto da doença dele, como da minha, para me manter em recuperação.
Quando ele saiu, fiquei todo tempo pensando como iria fazer para consertar as insanidades que ele sempre comete quando recai. Mas automaticamente pensei: Assim estarei atrapalhando a recuperação dele, pois não estarei permitindo que ele arque com as consequências de suas escolhas erradas. Estarei mais uma vez encobrindo seus erros e me tornando facilitadora do seu uso de drogas.


Contei tudo para minha família, sei que talvez isso faça com que ele perca o emprego e se sinta frustado, por mais uma vez as drogas terem destruído planos e sonhos da vida dele, mas me senti mais leve pela escolha que havia feito.
Estava lendo nesta semana o blog de uma amiga, no qual ela diz: ''que os mentirosos são eles por causa da doença'', se nós formos agir da mesma forma, mentindo para ''protege-los'' , além de estarmos facilitando para que continuem nesta vida( NÃO ARCANDO COM AS CONSEQUÊNCIAS DO ERRO) ainda estaríamos  tão doentes e em não recuperação assim como eles na ativa.
Além de ter aberto o jogo com minha família, fiz outra coisa qual ele odeia, pois acha que estaria expondo a imagem dele, fiz um boletim de ocorrência por desaparecimento. 
Na última recaída que ele teve a alguns meses, eu prometi que se acontecesse novamente, faria o boletim.
Como foi uma promessa, tive que cumprir para que ele saiba que não estou brincando, senão nunca ele dará créditos a minha palavra.
Tenho certeza que quando ele chegar muitas coisas podem acontecer, pois no fim ele acabará me culpando pela recaída ou por alguma outra coisa como sempre faz. Apesar de doer em mim, infelizmente não posso evitar as consequências que virão por causa da recaída.
Como eu sempre digo, eu não crio expectativas em relação a decisão dele entrar ou não em recuperação.
Mas não vou mentir, que a cada recaída, tenho esperanças que o fundo do poço dele chegue e ele decida entrar em recuperação. Quem sabe não é desta vez??
Afinal tenho muitos amigos adictos que vivem relatando que sofreram por anos a fio até aceitarem o primeiro passo e se tratar. Cada um tem o tempo do seu ''Despertar Espiritual''. Um dia ele chega para cada um, não importa quando e nem como.
Estou aqui neste momento torcendo muito e pedindo a Deus para que desta vez ele busque ajuda, se internando, ou participando de grupos de ajuda para entrar em recuperação. 
Bem meus queridos, aqui neste blog eu relato minha vida para vocês exatamente como ela é, com os altos e baixos que é conviver com um familiar adicto que amamos.
Recebo muitos emails de pessoas me perguntando: porque eu ainda continuo com ele??
Porque não me separo e sigo minha vida adiante? Talvez arrumando um relacionamento saudável com um não adicto? ou simplesmente viver minha vida com minha família??
Eu realmente poderia fazer isso e me livrar do ''problema'', mas não seria eu, não conseguiria ser feliz se agisse assim. Admiro as pessoas que tem esta força, e conseguem depois de ter passado por todos os problemas causados pela adicção, ainda prosseguirem com suas vidas deixando este passado para trás.
Sabemos o quanto é difícil tomar esta decisão. Principalmente quando ainda há amor.
Também sei que devo me amar em primeiro lugar,  isso eu tenho lutado para conseguir e tenho obtido exito. 
Cada dia que passa dou um passinho, nem que for pequenininho em favor a minha recuperação.
Tenho notado que a cada dia que passa estou menos ansiosa e tenho mais autocontrole para lidar com esta situação. Fico feliz de não cometer mais as insanidades que cometia antes por não saber que era uma codependente.
Estes dias estava assistindo um vídeo na internet no qual me identifiquei muito. Vou partilhar com vocês.


Bom meus amigos, termino este post contando com as orações de vocês para minha família.
Amo todos vocês incondicionalmente, vocês fazem parte de minha vida e da minha recuperação...Obrigado por tudo.
Obs: Se alguém precisar conversar comigo sobre algum assunto me add no Facebook no link abaixo:

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Orgulho, Negação e Falta de Humildade....




Olá meus queridos, não tenho postado com tanta frequência pois como vocês devem ter lido nos posts anteriores minha filha está gravida e se encontra no ultimo mês de gestação.
As coisas aqui em casa andam da mesma forma, ele não evolui em nada, a falta de humildade, orgulho e negação de meu familiar adicto, faz com que sempre ele viva neste ciclo destrutivo, nunca progride, não vai a lugar algum...



Depois de todos estes anos vivendo nesta montanha russa da adicção: hora estou bem, hora estou mal, hora recaio, hora já posso tomar aquela inocente ''cervejinha'', ele até hoje vive no auto engano, não admitiu para ele mesmo que é um adicto, acha que pode ir levando esta vida de aparências entre trancos e barrancos.
Por mais que em meus momentos de insanidade, eu tenha tentado tudo que se é possível, pensando estar ajudando de alguma forma com que ele mudasse suas atitudes e entrasse em recuperação, foi tudo em vão.

A única lição que pude tirar de tudo isso, foi aprender o que se deve e o que não se deve fazer, quando o assunto é dependência química....
Não adianta achar que nosso amor, ou nossos esforços, por maiores que sejam, irão interferir na decisão do adicto de entrar ou não em recuperação, definitivamente não depende de mim.
Se o amor, o cuidado e dedicação fizessem com que os adictos entrassem em recuperação, a maioria de nossos familiares adictos estariam vivendo bem e em recuperação.
Mas temos que aceitar de uma vez por todas que somos totalmente impotentes perante o vício de nossos familiares adictos.
Meu familiar adicto tem vivido na ativa ja nem sei quanto tempo, quando digo isso a ele, ele se enfurece, e diz que não está na ativa porque não esta usando drogas..risos
Ele ainda não conseguiu admitir ( por falta de humildade) que o álcool para ele é a pior droga....

Ele praticamente bebe quase todos os dias, faz uns dois meses, que ele não tem feito o uso do crack, mas todos nós sabemos que é apenas questão de tempo para que ele volte ao uso.
O grande problema de meu familiar adicto, é que ele sempre pensa que conseguirá sair do vício sozinho, ele quer ter uma vida normal, como se nunca tivesse tido problema algum com drogas em sua vida. As vezes é orgulhoso, arrogante e prepotente...Realmente a falta de humildade atrapalha muito no processo de recuperação dele.
Ele sempre aposta que desta vez vai ser tudo diferente, que ele vai conseguir, que ele é diferente de todos os outros adictos do mundo....Quanto auto engano.
Antes, eu deixava que a tristeza e a frustração, tomassem conta de minha vida pelos comportamentos insanos de meu familiar adicto, hoje não mais. Estaria mentindo se dissesse que sou feliz com a escolha de vida que ele resolveu ter, mas não permito mais que isto interfira tanto na minha vida e minha felicidade. Procuro separar minha vida da dele. É difícil, mas é possível.
Tudo que estava em meu alcance para ajuda-lo em sua recuperação, tenho a consciência limpa de que fiz, basta lerem meu blog, Já tirei dele todas as regalias possíveis, para que ele sentisse as perdas e caísse em si, mas nada adiantou.
Ele faz suas manipulações, chantagens emocionais, se faz de vítima para ver se consegue me comover. Aqueles teatros característicos que todo adicto na ativa faz.( são peritos na arte de manipular)
Infelizmente, enquanto ele continuar com a convicção de que ele consegue sozinho, só tenho a lamentar por ele.
Aprendi que posso mudar meu comportamento e assim fazer com que ele gradativamente melhore o dele, mas falta muito para ele realmente entrar em recuperação.....Uma das coisas que mais aprendi é impor limites e saber dizer ''NÃO''.Eu decidi eliminar de uma vez por todas a palavra ''EXPECTATIVA'' da minha vida. Assim o fardo se torna mais leve e eu não tenho tantas decepções, sei que não é fácil viver desta maneira, e é uma vida que não desejo a ninguém, afinal todos temos sonhos, e gostaríamos de projetar nossos sonhos baseados em expectativas de uma vida melhor.
Com toda esta bagagem de codependencia que carrego comigo ao longo destes 15 anos de adicção de meu familiar, procuro passar o pouco de experiência que obtive para meus amigos que estão começando agora esta longa jornada, procuro passar o pouco que sei, para que não cheguem a cometer os mesmos erros e insanidades que cometi no passado...Por incrível que pareça meus queridos existem muitas pessoas nos dias de hoje que nem imaginam o que é codependencia, não tem a mínima noção de como ajudar um adicto com assertividade.
O assunto ''codependencia'' infelizmente ainda é muito pouco divulgado em nosso país, e apesar de ser uma doença tão grave quanto a dependência Química , ela não é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde.
O problema cada dia que passa tem se agravado, e mais e mais famílias hoje, convivem com a problemática de ter um adicto na família.
Muitas famílias internam seus familiares adictos e não se tratam aqui fora, e quando o adicto sai encontra uma família completamente perdida sem saber como agir para ajudar seu adicto.
Por isso é tão importante que quando o adicto decida se tratar, a família procure um grupo de ajuda (na lateral da pagina tem os links de alguns grupos) e também faça o tratamento. Estou falando sobre isso, pois sempre recebo emails de famílias completamente perdidas sem saber como ajudar seu familiar adicto.
Enfim meus queridos, hoje eu procuro viver minha vida e tomar minhas decisões independente das escolhas que ele faça, contanto que as escolhas dele não me prejudiquem e prejudique minha filha, vou vivendo, tendo a mais plena certeza que a única responsável pela minha felicidade sou eu, só posso modificar a mim mesma, pelo meu semelhante, só me resta orar e confiar em Deus, confiar que dias melhores virão.
Retirei um texto que achei muito lindo,  do blog de minha querida amiga Poly e vou partilhar com vocês...

“Eu sou responsável por mim. Eu sou responsável por viver ou não a minha vida. Eu sou responsável por prover o meu bem estar espiritual, emocional, físico e financeiro. Eu sou responsável por identificar e satisfazer minhas necessidades. Eu sou responsável por resolver meus problemas ou aprender a conviver com eles, se não puder resolvê-los. Eu sou responsável por minhas escolhas. Eu sou responsável pelo que dou e recebo. Eu sou responsável por estabelecer e alcançar minhas metas. Eu sou responsável pelo tanto que desfruto de minha vida. Eu sou responsável pelo tanto de prazer que encontro em minhas atividades diárias. Eu sou responsável por quem eu amo, e como escolho expressar este amor. Eu sou responsável pelo que faço aos outros, e pelo que eu permito que os outros me façam... (Melody Beattie)

terça-feira, 6 de maio de 2014

O MEDO DO ADICTO

O medo do Adicto
Estou completando hoje 56 dias dos 60 dias em que estou nesta clinica de recuperação. São 56 dias limpo, 56 dias em que ganhei uma nova perspectiva de vida sem a droga.
Estou feliz aqui, ganhei verdadeiros amigos que me entendem, que me ajudam, que compartilham seus problemas, confidenciam medos, esperanças. Compreendem a minha compulsão, meu desejo insano por drogas, todos nós aqui estamos passando pelos mesmos problemas.
Ganhei uma serie de conhecimentos que me ajudam e ajudaram a combater esta loucura. Descobri principalmente que o problema que me atormenta não é só a droga, ela é apenas um ponto dentro de pontos, ela é bengala que necessito para poder caminhar, ela é a desculpa para meus medos e minhas ansiedades. Um porto seguro para tudo aquilo que não tenho coragem de fazer ou ser.
Aprendi que não basta apenas ¨Eu¨ parar de usar drogas, ¨Eu¨ tenho de deixar de ser uma droga, ¨Eu ¨ tenho que parar de pensar como Adicto. Tenho de mudar atitudes, tenho de deixar de ser o centro do universo para ser parte dele. Isto é que é o verdadeiro sentido da ¨Recuperação¨.
Meus defeitos acumulados por anos, outros desenvolvidos foram moldando minha personalidade e fazendo parte essencial de toda a lou-cura que me tornei hoje, isto, é que tenho de Mudar. Mudar a mim não a droga e se não o fizer isto; se não mudar meu interior; estarei apenas mudando meu vício, minha droga.
Hoje deslumbro um outro pensar, um outro mundo, a minha serenidade atingida me acalma e me torna um ser humano mais capaz, um ser que não precise mais de desculpas para suas fraquezas, para sua falta de coragem diante da vida, diante das pessoas, dos sentimentos, do mundo. Que não precise mais se drogar para se anular ou para se fazer valer como gente perante uma situação ou uma decisão.
Aqui na clinica me sinto protegido, aqui tenho limites, me sinto cercado por muralhas, tenho normas, regras e responsabilidades. Sinto-me amparado por amigos, socorrido por terapeutas, tenho coisas que nunca pude presenciar de verdade, sou um ser que a cada dia conquista uma batalha e agradece por ter tido mais um dia de sobriedade.
Confesso que tenho medo do mundo lá fora, faltam apenas 4 dias para minha internação acabar, logo estarei lá fora e estarei por minha conta. Claro que terei apoio dos amigos conquistados, todos estarão sempre prontos a me ¨Ajudar¨, as ferramentas que aprendi estarão ao meu dispor, todo o conhecimento adquirido terá de ser colocado por mim em prática. Mas, apesar de tudo isto, confesso, tenho medo. Mas meu medo maior não é do mundo lá fora, não são dos amigos dos tempos de uso de drogas que deixei, não são dos lugares que freqüentei, nem da boca de fumo da qual freqüentava e me sentia sócio. Meu maior medo é o da minha ¨Casa¨, parace incrível, este é o lugar hoje mais assustador para mim.
Dos amigos de uso eu me afasto, os lugares eu evito, a boca eu nem passo perto, mas, da minha casa, é complicado!
Todo aquele ambiente esta de braços abertos a minha espera. Todas as atitudes alheias estão a minha espreita, os ressentimentos causados ainda estão a flor da pele, o caos que existiu um dia ainda impera.
¨Meus familiares¨ ainda são o que deixei a cerca de 60 dias atrás. Eles não mudaram, não se redescobriram, não se recuperaram. Vou encontrar as mesmas pessoas, as mesmas atitudes, os mesmos sentimentos, os mesmos medos, os mesmos defeitos, os mesmos conflitos, a mesma pseudo-sabedoria. Tudo aquilo que conheço de todos a anos. Vou encontrar toda a insanidade que ficou, isto me trás medo, o medo de que não tenha condições de suportar todo o descontrole que é a ¨minha família¨.
Sei que sou portador de uma doença sem cura, porém, sei que minha doença tem controle desde que eu me utilize de todas as armas que aprendi. Hoje tenho conhecimento que ¨Meu familiar¨ também é portador de uma doença, na qual a ¨negação¨ e um dos seus sintomas mais fortes. Admitir para si que erros foram cometidos e que sua vida esta baseada em mentiras é para ¨Ele¨ inaceitável, ficando mais fácil encontrar culpados, ficando mais fácil ser uma vitima. Este não aceitar me causa temor, sou um doente em ¨Recuperação¨ que vai conviver com doentes que não aceitam a sua doença e nem admitem uma ¨Recuperação de si¨.
Temo por ¨minha recuperação¨, pois, as conquistas de cada 24h que tive me são extremamente valiosas, a dor para conquistá-las me foram muito doídas e não quero perder a guerra que apenas comecei a vencer. Fazer-me dono de novo da minha vida me faz sentir tudo de bom que posso ter, me faz ver todas as dores que causei a mim e que não quero mais ocasionar.
Voltar para ¨Minha casa¨ me atemoriza porque vou encontrar tudo aquilo que por minha incompetência como ser humano me deixei possuir. As mesmas idéias, os mesmos preconceitos, todas as mentiras ditas como verdades ainda estarão lá instaladas. Eu mudei, mas, meu familiar infelizmente não. Meu familiar ainda estará cheio de sua arrogância, cheio de sua sabedoria alheia e de sua ignorância de si.
Tenho medo da ¨Casa¨ que deixei a cerca de 56 dias atrás, que esta ¨Casa¨ acabe com todo o aprendizado que adquiri e todo o controle que hoje e só por hoje, agora e só por agora, tenho sobre minha doença. Minha ¨Casa¨ possui todas as ferramentas, todas as facilidades para que eu venha a fraquejar, tenho todas as chances de me deixar levar de volta ao uso de drogas. Quero que minha sobriedade impere sobre mim hoje e quero que isto permaneça inalterado.
Sei que ¨Meu Familiar¨ não é culpado por minha drogadição. Ele é uma pessoa que também sofre com a sua compulsão de Controle e Sabedoria. Estando cego por suas drogadições conquistadas, por seus conceitos preconceituosos, por seus conselhos concedidos e não aplicados. Sinto que sua drogadição pode me fazer voltar as minhas drogadições.
Aprendi aqui na clinica que tenho que evitar lugares e pessoas, para que estes não venham a atrapalhar a minha Recuperação. Tenho muito ainda que fazer. Percebo que terei muitos desafios a enfrentar e entre eles esta ¨O Meu Familiar¨. Ele é tudo aquilo que ¨Eu¨ sempre cultuei, ele é aquilo que eu sempre quis que ele fosse, os seus defeitos de caráter são tudo o que eu preciso para continuar a ser um drogado e estes defeitos ainda estão latentes e podem contagiar-me.
 Talvez ¨Eu¨ tenha que deixá-lo no meio do caminho.

Me ¨desligando¨ dele com Amor.

Para que ¨Eu¨ possa ganhar hoje e só por hoje a tão sonhada ¨Recuperação¨.

TEXTO RETIRADO DO BLOG:http://modificaramimmesma.blogspot.com.br/2012/03/o-medo-do-adicto.html

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Internação Involuntária





“Amá-los com todas as nossas forças, significa resguardá-los deles próprios e, mesmo que a princípio não entendam desta forma, mesmo assim, precisamos fazê-lo o quanto antes.”

Muitas vezes nos perguntamos se estamos sendo duros demais com os nossos adictos ao tomarmos a decisão de interná-los involuntariamente, e sabemos que tomarmos tal decisão, exigirá de nós uma força quase descomunal. Nestas horas, precisamos ser firmes e fazer por eles, o que não conseguem fazer sozinhos. Porque, em um dado momento, muitos dependentes chegam a um estágio da doença que perdem até mesmo o poder de escolha e decisão. Estou me referindo a um dilema que muitas vezes compartilhamos ao especularmos a possibilidade de retirá-los de circulação contra a própria vontade. Ao tomarmos esta decisão poderemos nos sentir o pior dos seres humanos, porque teremos a sensação de estarmos sendo covardes e cruéis, mas não é bem assim. Precisamos protegê-los deles próprios. Mesmo que esta internação tenha apenas um efeito parcialmente paliativo, pois, o tiro pode sair pela culatra e o procedimento funcionar ou não. Mas, precisamos fazê-lo mesmo que isto doa demais, por que a dor de não fazer nada e ver um ente querido morto é muito maior do que aquela que poderemos sentir ao constatarmos que depois que a vida se foi, nada mais poderá ser feito.
“Fui internada contra minha própria vontade, no ano de 1998. Naquele momento, senti-me péssima. Na verdade, eu me sentia vítima de um grande complô organizado pela minha mãe e pelo meu ex- marido. Realmente, achei que a minha família estava desistindo de mim e que internar-me a força, era uma boa forma de se livrarem do peso que me tornei em suas vidas. O tempo passou e pude ver o quanto me amavam e como foi difícil para eles tomarem a decisão de me internar involuntariamente. Percebi que agiram certo e, no momento mais crítico da minha adicção ativa, eles me resguardaram das minhas insanidades e salvaram a minha vida. Foi uma cena feia: de um lado o psiquiatra, do outro a minha mãe e o meu ex-marido, e eu, achando que tudo não passava de uma encenação. Só entendi a gravidade da questão, quando ouvi o médico perguntar para eles: Ela tem alguma condição de convívio social? E, eles responderam em coro: Não! Então, percebi que estava em maus lençóis, ao ver dois enfermeiros me segurando pelo braço e levando-me embora para uma ala psiquiátrica. Foi horripilante. Chorei muito, não pelo fato do afastamento social, mas pelo fato de não poder mais usar drogas estando confinada ali. É difícil entender que sentimento era aquele, pois eu deveria estar pensando na minha família e não em me drogar novamente. Mas os meus valores estavam reduzidos a zero, e nada era mais importante do que usar, nem mesmo a minha vida era importante naquele momento. Adentrar em uma ala de psiquiatria e ver aquelas pessoas babando, nuas e totalmente desconexas do mundo aqui fora, foi um choque para mim. Talvez, eu tenha tido o meu primeiro despertar espiritual lá, naquele hospital. Por que de repente tudo ficou muito claro. Parece que me foi retirado o véu da ignorância, quando sentada no pátio daquele hospital, olhei ao meu redor e pensei: Darléa, o que você está fazendo com a sua vida? Por que quer morrer? Por que não luta? Não desista de você! Queridos, não sei se fui eu quem pensou ou se foi a voz de Deus, mas analisei bem as perguntas e me questionei se ainda existia uma chance para mim, depois de tantos sacrilégios que cometi com a minha vida. E, decidi tentar modificar tudo que havia vivido até aquele momento. Quando saí da internação, voltei aos grupos de mútua ajuda e, apesar de tantos altos e baixos, estou conseguindo ficar limpa. Consegui resgatar a minha dignidade. Não posso afirmar-lhes que foi ou não o efeito cascata que a internação me deixou, que me levou a tomar uma decisão de parar com as drogas, mas com certeza, ao vivenciar tudo que passei em uma internação, decidi que não queria mais aquilo para a minha vida. E, a única forma de não voltar mais para aquele lugar, seria e ainda é, não voltar a tomar aquela primeira dose.”

Por: Darléa Zacharias

(Trecho do livro Inimigo Oculto - Foco, Força e Fé, capítulo: Adicção e codependência: uma mistura explosiva!)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

O Problema Não é a Adicção



Olá meus queridos!!
Ouvi várias vezes que a ¨Recuperação do Adicto¨ não estava apenas relacionado com ele parar de usar Drogas. ¨O problema não é a sua Adicção, mais sim, as suas atitudes¨. O afastamento das drogas era apenas a primeira parte de um processo de libertação de um vício. Um vício físico, mental e espiritual.
Recuperação é mudança de ação, de hábitos e hábitos que estão relacionados com conceitos negativos que o Adicto repete nas suas 24h. Hábitos que aprendeu com os exemplos observados em seu convívio, hábitos que desenvolveu e hábitos que criou durante sua caminhada.
Conceitos como respeito, direitos, dever, liberdade são desconhecidos por eles ou adaptados as suas vontades, aos seus objetivos, por causas da sua doença ou porque já estavam incutidos em seu ser. Manipulam sentimentos e pessoas de acordo com as suas necessidades, aonde não são levados em conta os significados reais destes conceitos e nem princípios. Importando apenas os anseios, o poder, o seu ego.
Princípios reais são universais, não importa credos, educação, raças. Princípios são conceitos da natureza do homem, essenciais a um crescimento físico e espiritual. Princípios são verdades absolutas, imutáveis, transcendem à vontade deste ou daquele grupo. Princípios não podem ser adaptados a aspirações individuais e princípios são desconhecidos pelo Adicto.
Reavaliando minha vida percebo que o inferno vivido por causa da Adicção dele, o caos exterior e interior a todos não estava relacionado ao seu vicio em ¨drogas¨, não era o álcool nem o crack, que tornava nossas vidas em um total descontrole e sim as ¨Atitudes¨.
Ao meu redor as atitudes loucas, as insanidades, as irresponsabilidades já existiam muito antes das drogas. Nossa história indicava que não era a droga que o destruía, que destruía a família, o convívio, o amor, que levava desespero ao nosso corpo e mente. Não era a droga que levava ao sofrimento, que violentava, que agredia, toda a loucura estava ligada à ¨Atitude¨, a comportamentos antiéticos, imorais, desvairados, sem limites, que já eram existentes.
A droga nada criou, ela apenas potencializou o que já existia.
Hoje tenho consciência de que ¨ele¨ não precisa apenas para de usar drogas, o que realmente ¨ele¨ tem de parar é com seu comportamento obsessivo. As drogas não podem serem usadas como desculpas para o seu total medo da vida, para sua total falta de respeito, para seu total descontrole e nós também temos que parar de usarmos desta desculpa para nossa total incompetência perante a vida, nossos medos, nossas culpas, nossas frustrações. A nossa falta de querer ser feliz. As nossas relações com este mundo tem de ser transformadas.
Apenas ¨Parar¨ o uso das drogas não fará com que sejam apagados ressentimentos surgidos com a Adicção. As marcas são profundas demais para serem apagadas e somente uma completa modificação de comportamento dará inicio a verdadeira Recuperação e ao verdadeiro Perdão. Recuperação esta ligado à mudança de pensamentos, de sentimentos, de atitudes, o simples deixar de ser dependente químico não significa que os impulsos mais falhos, o caráter negativo tenham sido convertidos. Recuperação é eliminar os resíduos que ainda estão em uso, independente de parar ou não com as drogas. Resíduos dos tempos do uso do do crack, do álcool, resíduos dos tempos em que se deixou viciar pela falta de princípios humanos, éticos, morais, que foram permitidos serem desenvolvidos em seus costumes, em sua postura, em seu caminhar e em nosso caminhar. A mudança não tem de vir de fora para dentro, as mudanças tem de vir de dentro para fora. E não só seus atos tem de ser modificados, nossos atos também tem de serem modificados.
As verdadeiras drogas estão dentro de cada um, a verdadeira droga não é aquela que entra pela boca, pelo nariz e sobe ao cérebro e distorce realidades, induz comportamentos, permite coragem, permite ímpeto, permite que sejam colocados para fora tudo de ruim que esta amordaçado em nosso interior. A droga liberta o que de pior existe em nós, libertando todas as drogas da minha personalidade, todos os defeitos de caráter. A verdadeira droga é aquela que esta contida dentro de cada um de nós, são aquelas que saem de nossas bocas, são os pensamentos, são os sentimentos, são as ações. A verdadeira loucura da droga é aquela que se aloja no coração e domina o espírito.
A ¨drogadicção¨ é algo que permite que ¨Ele¨ seja aquilo que por covardia ¨Ele¨ não tem coragem de ser. Ela é o suporte que ele necessita para combater seus medos, para se sentir ¨alguém¨, ou, para se anular no mundo. A sua drogadicção faz com que ¨Eu¨ também infelizmente me sinta ¨alguém¨. A drogadicção dele da sentido a minha existência, e alimenta minha doença.
As consequências, as loucuras da Adicção que presencio hoje já estavam enraizadas em todos nós há muito tempo. Tudo a minha frente era previsível, apenas a minha negação em admiti-lo impedia de enxergar as coisas que aconteciam. Tudo sempre esteve bem ao lado, as minhas vistas, os defeitos de caráter, as manipulações, chantagens, as grosserias, o egoismo. Minhas facilitações, os conceitos baseados em minhas verdades absolutas, a arrogância, a prepotência. Nossas relações estruturadas em mentiras e falsidades, cheias de ressentimentos, enfim, tudo, tudo, já estava lá muito antes das drogas fazerem parte do dia-a-dia.
Precisou que as ¨drogas químicas¨ fincassem suas estacas em nossas vidas para que as ¨drogas da nossa personalidade¨ fossem encaradas de frente, pudessem serem sentidas, serem admitidas, desmascaradas. Que nossa hipocrisia viesse a tona, já que as deformidades, os conceitos deturpados absorvidos ao nosso caráter já o drogavam há muito tempo e dopavam a mim, minha família, a todos.
As drogas eram a porta de entrada para que pudéssemos culpar, desculpar, acusar, criticar, apontar no outro as imperfeições e erros que negávamos existir em nós. As drogas são a porta de saída hoje para que possamos desculpar, descobrir, recuperar, ver virtudes, compreender que os defeitos e erros que negamos existir em nós já existiam há muito mais tempo, muito antes da Adicção dele.

sábado, 12 de abril de 2014

A ESPERADA RECAÍDA....



Olá meus queridos...
Em primeiro lugar eu agradeço a Deus por estarmos todos bem apesar da problemática que um adicto na ativa trás para toda família...
A sensação que tenho é de que passou um tsunami por aqui, acabando mais uma vez, com alguns sonhos, esperanças, deixando tristeza, frustrações, sentimento de impotência e um enorme vazio, deixados pelas promessas nunca cumpridas como: ''foi a ultima vez'', ''Agora eu vou me tratar'', ''Me da mais uma chance que vou mudar'', ''me perdoe e me de mais um voto de confiança''...Enfim, aquelas famosas frases que já cansamos de ouvir de nosso familiar adicto. Promessas que nunca são cumpridas, não são cumpridas enquanto o adicto não se rende e reconhece que é impotente perante o vício...
Meu familiar adicto, estava a alguns dias sem o uso do crack, um mês e meio, mas não estava em recuperação, estava na ativa como eu comentei em post anterior, não abre mão da bebida.
Na cabeça dele a vida sem a ''cervejinha'' é uma vida sem alegria, uma vida vazia e sem sentido....
Estas foram as palavras dele quando chegou em casa de sua recaída esta madrugada.
Medos, tristezas, desgostos, cansaço físico e mental, é desta maneira que vive a família do adicto quando ele não está em recuperação, eu falo sempre muito sobre recuperação para meus amigos adictos e codependentes, consigo até algumas vezes ajudar algumas pessoas com o pouquinho que sei e tenho aprendido sobre estas doenças, leio livros, assisto palestras, participo de grupos online, sei tudo que é preciso para entrar em recuperação, mas quando chega na minha vez existem algumas coisas que ainda não consigo colocar em prática...(ex: desligamento emocional)
Gostaria de agradecer aos meus amigos do face, leitores e seguidores de meu blog por todas as mensagens de conforto, palavras amigas, me dando forças para não desistir e continuar minha luta.
Mas também quero esclarecer alguns pontos em que algumas pessoas tem me mandam emails e mensagens pelo face perguntando...Percebi que ao postar a palavra ''RECAÍDA'', no Facebook, alguns companheiros, que não conhecem minha historia e não conhecem este blog. pensaram que sou eu a adicta que tive a recaída, porém foi meu familiar que recaiu...
Meus queridos eu sou uma codependente lutando pela minha recuperação diariamente e tenho conseguido alguns progressos desde que descobri que era codependente.
Não sou dependente química, nunca usei drogas em minha vida ( exceto o cigarro).
Conheço um pouco sobre dependência química e codependencia porque pesquiso muito sobre o assunto.
Na minha família existem dois adictos, um deles é minha irmã que se encontra em tratamento em uma comunidade terapêutica.
Pela primeira vez desde que se tornou dependente do Crack, meu familiar adicto realizou um sonho que tinha a muito tempo, trabalhar sozinho. Como já disse várias vezes, a adicção é uma doença incurável, progressiva e fatal, que pode ser estacionada se o adicto se propor e ''quiser'' viver em recuperação. Depende do querer dele. 
Desde que começou a trabalhar sozinho, meu familiar teve duas recaídas, por sua insistência em achar que pode tomar aquela ''cervejinha''gelada depois de um cansativo dia de serviço ( palavras dele). As vezes ele consegue se manter algum tempo sem o uso do Crack, mas a recaída é inevitável.
Enquanto ele não reconhecer que o Álcool para ele é uma droga, pois ele é alcoólatra e drogadicto, ele vai continuar nesta montanha russa, hora estou bem... hora recaio....

Ele não aceita a doença por isso dificulta a vida dele e a nossa.
Ontem ele não foi trabalhar devido a sua recaída, foi chegar hoje de madrugada.
Depois de 15 anos vivendo no olho do furacão, pude perceber como tudo isso prejudicou minha família, principalmente minha filha, que é uma menina depressiva, e está seriamente doente.
Por isso procuro ressaltar sempre, que nós codependentes ficamos tão doentes quanto o adicto, pois deixamos de viver nossas vidas em consequência do uso de droga do ente querido.
É muito difícil ver a pessoa que amamos se matando lentamente em sua frente e você não poder fazer NADA.
Realmente isso tudo cansa, desgasta e acaba com a estrutura de qualquer pessoa que viva com um adicto que não está em recuperação.
Tenho cuidado de mim e de minha filha, não deixo mais que a adicção de meu familiar faça com que eu cometa aquelas insanidades do início, mas ainda dói e sofro com tudo isso. 
É lamentável ver como uma pessoa, inteligente, que poderia ter um futuro brilhante pela frente, ainda insista em persistir neste caminho que infelizmente o final todos conhecemos...(clínica, cadeia ou morte) não necessariamente nesta ordem.
O adicto de minha convivência, não quer perder o emprego, mas precisa ter responsabilidades, deveres e arcar com as consequências de seus erros, não vou ser facilitadora para ele em nada....
A cada dia que passa ele perde mais coisas; a confiança, o respeito, a família, o amor próprio, bens materiais, mas insiste em continuar cavando o poço para ver até onde chega...



Esta doença é terrível, pois tira totalmente o foco de vida e os objetivos do adicto, de um minuto para o outro ele pode perder o que conseguiu com tanto esforço...
Já ressaltei milhões de vezes as qualidades de meu familiar adicto, ele quando está sóbrio, é competente, honesto, esforçado, trabalhador e muito inteligente, tem um coração gigante e ama ajudar o próximo, põe muitos não adictos no bolso.
Mas ele com a droga se transforma em uma pessoa irresponsável e não cumpridora de seus deveres.
Isto é muito triste, pois minha filha e eu sofremos muitas privações devido ao uso de bebidas e drogas dele...Ele não tem controle algum.
Espero que Deus abra a mente dele para que ele possa buscar sua recuperação...
Obrigado a todos meus queridos amigos, principalmente a meu amigo, e minha querida irmã, que passaram por estes momentos comigo, momentos difíceis, momentos que meu familiar estava pelas ruas em sua busca insana pelas drogas... Sozinha eu não conseguiria.
Eu estava me martirizando aqui pensando em que desculpa arrumar pelas insanidades dele, pela falta de responsabilidade que é dele, tentando tapar o sol com a peneira como fiz durante todos estes anos, mas cheguei a conclusão que devo soltar a corda e deixar que ele caia mesmo no fundo do poço...A obrigação com o trabalho é dele e não minha, quem deve se preocupar é ele e não eu, se ele perder o emprego ele mereceu, pois estará colhendo o que plantou.
A única preocupação de minha parte é que ele prejudique terceiros com suas atitudes, esta doença só nos causa decepções. Só quem convive com um adicto na ativa em casa, sabe das nossas dores, angústias e vergonha alheia...
As pessoas de fora não vão enxerga-lo como um doente que precisa se tratar e sim como um ''Drogado'' irresponsável....
Não posso culpa-los por não entender a doença, pois as vezes até a família não tem preparo psicológico para saber como lidar com a situação.
Não consegui responder os emails e as mensagens do Facebook pois neste momento procuro dar uma atenção especial para minha filha que esta com depressão profunda e gravida de 7 meses...
Tenho que mante-la sob vigilância constante, todo cuidado é pouco, pois a depressão é outra grave doença que pode levar a sérias consequências...
Quando ele começou a trabalhar sozinho, foi com o objetivo de nos desligarmos um pouco, deixar que ele andasse com suas própria pernas, trabalhasse, criasse responsabilidade, e eu pudesse ter um tempo de descanso  com minha filha e ajudar minha mãe com o problema de adicção de minha irmã, não queria trazer problemas para minha família, por isso sempre vivemos isoladas de tudo e de todos, pois por onde passamos as pessoas acabam se afastando de nós, alguns por preconceito, outros por serem diretamente afetados pelo comportamento dele quando está na ativa, ou por qualquer outro motivo relacionado a adicção ou codependencia..
Sempre carreguei este fardo nas costas, os problemas não são meus, são dele e ele precisa sofrer perdas para realmente ''QUERER''entrar em recuperação.
A cada recaída a gente se afasta cada vez mais, minha filha adoece cada vez mais, as perdas vão gradativamente aumentando, ele já perdeu muito do que tinha, e vou ter que ter cada vez mais força , até o dia que eu finalmente consiga dar um BASTA em tudo isso.
Não é justo que pelo egoísmo de uma única pessoa, em querer viver a vida em função do seu prazer, que se destrua o resto da família...
Não é justo que se ele insistir em trilhar este caminho tortuoso, insistir continuar vivendo na ''ativa'', não se render e entrar em recuperação, eu fique ao seu lado. 
Depende única e exclusivamente de mim a decisão de continuar neste sofrimento, ou soltar a corda e mudar tudo em minha vida, sei que minha felicidade depende única e exclusivamente de mim, pode e nem deve estar condicionada a ninguém, e são minhas escolhas que determinam se vou ser feliz ou não.

Até hoje ainda não encontrei forças e nem me sinto preparada para deixar meu familiar adicto.
Acredito que se estou aqui até hoje, foi por permissão de Deus com propósito na vida dele, ou na minha, mas acredito que tem um tempo para todas as coisas, a bíblia diz que:''Há tempo para sorrir , tempo para chorar''..., e o meu tempo de sorrir está cada dia que passa mais próximo de chegar...Tenho fé no meu Deus...

AMO TODOS VOCÊS INCONDICIONALMENTE...