terça-feira, 15 de julho de 2014

Expectativas, Ansiedade e Esperança


Todos temos em nós um alto índice de Expectativa sobre nossas vidas, em nossas vidas e sobre as vidas dos que nos rodeiam. Sonhamos com realizações, traçamos perspectivas, vivenciamos histórias que jamais serão nossas. Colocamos nossos anseios, nossas frustrações em vidas nas quais não temos o direito. Com a desculpa de que se interfiro em suas vidas, é porque os Amo. Desejando para ele o melhor, não assumo que estes desejos para ele são desejos que talvez eu não tive coragem de ter e fazer para que pudesse ter o melhor para mim.
Planejo metas, diretrizes que devem ser seguidas para que objetivos sejam atingidos. Objetivos estes, inclusive meus, mas, que por minhas limitações e covardias não me foram conquistados. Transfiro para o outro então a responsabilidade de fazê-lo. Vivendo no outro a vida que não consegui ter. Ganhando Esperança de vida através da vida do outro e para que eu possa ter a minha própria vida vivida.
Na Esperança de vê-los felizes, Eu possa também sentir a felicidade que talvez nunca tenha experimentado.
Este sentimento de inquietação que é gerado pela minha Expectativa traz um conjunto de outros sentimentos que me fazem perder completamente o Controle de minha vida. Raivas, Culpas, Medos são desenvolvidos quando eu coloco, no outro as obrigações de me fazer feliz através de minha expectativas de mudanças de vida, de meus Sonhos e minhas Ansiedades.
Com minhas Expectativas tenho a certeza de que atitudes podem ser modificadas, que posso mudar comportamentos e recuperar a minha paz.
Aplico normas, leis, princípios, verdades as quais acredito serem perfeitas, completas e que devem ser aceitas, porque foram determinadas por ¨mim¨.
Defino o que é por mim desejado, meus padrões morais, éticos, meu modo de pensar, ou seja, tudo que quero é que o outro seja meu reflexo de perfeição, daquilo que Eu suponho ser o melhor para minha vida e para a sua. É o meu Eu agindo de acordo com meus Anseios, porém, atuando na vida dele. Com a Esperança de que agindo desta forma ele não sinta as dores provenientes e inerentes da própria vida escolhida por ele e que talvez eu não tive.
Os anseios, aspirações sempre vêem acompanhados de Expectativas e Ansiedades. E quando minhas vontades não são atingidas perco a Serenidade, entro num processo de Desespero, aonde Limites são ultrajados, a Fé desaparece e passo a cobrar de Deus o seu abandono.
Minha mente se enchem de Dúvidas, as Obsessões se afirmam e se firmam em mim. A Ansiedade domina, a Expectativa agora dirige todas as minhas 24h de existência. E estas sensações de Expectativa me trazem sentimentos negativos de: Insegurança, Temor, Angústia, Delírios, Fantasias.
No imediatismo na procura das soluções para meus sofrimentos as decepções para com o outro aparecem. E aparecem porque sempre espero que as coisas sejam muitos mais do que acontecem. Espero sempre mais do que aquilo que posso dar e receber, espero sempre mais do que o outro pode ter condições de ofertar. São minhas Expectativas, Sonhos e Desejos.
Coloco em alguém Expectativas de vida, procuro fazer com que este alguém viva as minhas Expectativas de vida através da sua vida e exijo que o outro alcance caminhos que eu mesmo não tenho Coragem para alcançar.
Neste fervor de sentimentos as Expectativas fazem-nos esperar por milagres que nunca acontecerão e feridas que nunca serão sanadas e nunca desaparecerão por completo do meu corpo, isto porque, mesmo que feridas sejam curadas as cicatrizes lá estarão e terei de conviver com estas marcas para sempre.
A Paz nunca será atingida e nunca será obtida, pois, colocamos sempre em outros nossas Expectativas de que melhorando o mundo a minha volta eu recuperarei a minha Paz tão merecida, sem entender que a minha Paz tão merecida esta dentro de mim, no interior e não no exterior deste mundo. Este sentir de Paz nunca é colocado em minhas mãos, aspiro sempre que o outro consiga, alcance, conquiste, lute, me oferte. Nunca digo para que Eu atinja estas conquistas. Cobrando soluções do outro; soluções que Eu mesmo não objetivo na minha vida infernizo seu mundo com exigências, aponto suas falhas, suas imperfeições. Sem me dar conta de que as imperfeições a serem cobradas e corrigidas são as minhas, as do outro devem ser atingidas e modificadas pelo outro.
Por não saber Esperar me sinto cheio de Expectativas, e estas Expectativas acabam com um sentimento poderoso chamado de Esperança.
Esperança e Expectativa apesar de serem considerados sinônimos no contexto da palavra, possuem uma diferença no seu conceito. Esta diferença esta na forma que atuam dentro de nós, em cada um de nós. A Expectativa vem carregada de Ansiedade, de Insegurança, de Dúvidas, Incertezas, Intranqüilidades, Covardias e Ignorância. A Esperança vem carregada de um sentido de Espera, de Serenidade, Coragem e Sabedoria.
Esperança é Esperar que as coisas sejam colocadas na sua ordem natural, com Paciência, com Compreensão, Tolerância e Amor. Tudo no seu tempo certo, na sua hora certa, sem a pressa de Mudanças radicais.
A Expectativa traz em si a pressa a ser atingida, o não tolerar, o não compreender, o não esperar pelo tempo, quero e exijo decisões rápidas, mudanças rápidas. Numa frenética Ansiedade de que meus ideais aconteçam conforme minhas aspirações de perfeição. Minhas Perfeições não sendo atingidas fazem recair sobre mim as frustrações. E ai, Culpo-me por minhas pretensões não se tornarem reais, culpamos os outros.
Uma raiva ensandecida se apodera e domina minha razão e começo a blasfemar e a dizer que a ¨Esperança¨ não mais existe. Só que me esqueço de perceber que em nenhuma hora eu tive o sentir da ¨Esperança¨, o que sempre coloquei em minha vida foi um grande e imenso senso de sentir ¨Expectativa¨ de sentir Ansiedade e Aflição.
Sem Esperança nós não damos ¨tempo¨ para que o ¨tempo¨ tenha ¨tempo¨ de fazer uma nova história. A Esperança me da à fé e com fé eu ¨Espero¨ que o ¨tempo¨ tenha ¨tempo¨ de reescrever uma nova história.
A Esperança me reaproxima de meu Poder Superior, o Deus que concebo.
A Expectativa me afasta deste Deus, me faz sentir com o ¨Poder¨ de poder mudar com as loucuras alheias, quando só tenho ¨Poder¨ de mudar as minhas loucuras, com as dele Eu só posso conviver, se assim o desejar.
A Expectativa confere o objetivo de sermos responsáveis por modificações que não nos compete. A Esperança me faz ver que estes objetivos não são de minha responsabilidade. E que cada um tem o dever ser responsável sua própria existência.
A Expectativa me faz ler um livro com o intuito de ver o seu final. Com a Esperança leio o livro aproveitando cada página, o final da história será apenas uma conseqüência da minha leitura.
Esperança me faz Trabalhar o interior para Compreender melhor o meu exterior.
Esperança é Esperar que primeiro as minhas mudanças ocorram, assim, aprendo a compreender que a mudança do outro depende somente da sua mudança e que as mudanças em mim independem das suas mudanças.
Esperar pela Esperança me permite não mais sentir Expectativas que apenas geram em mim a Ânsia de querer ter o Poder de mudar o outro.
Expectativa gera Expectativa, Esperança gera a Espera de dias melhores.
Minha Expectativa me faz Esperar com Ânsia uma Recuperação que terá de chegar hoje e se não chegar me fará infeliz.
Minha Esperança me faz Esperar com Calma uma Recuperação que talvez não chegue hoje, mas que, poderá chegar amanhã, um dia se Deus assim o permitir.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O MEU AMOR POR MIM...

Olá meus queridos, tudo bem com vocês?
Por aqui está tudo em paz. Apesar do meu marido ainda não ter entrado de fato em recuperação.
Tenho percebido que o comportamento dele mudou significantemente para melhor nestes últimos meses. Ele tem estado mais calmo, tolerante e não tem tido mais aqueles ataques súbitos de grosseria sem motivos.
Voltou a ter gestos de gentileza assim como a alguns anos atrás.
Estes dias, até me surpreendeu com um lindo buquê de flores. kkkk
Temos conversado sobre a dificuldade que ele tem de entrar em recuperação ( por causa da bebida) e de como tem o desejo de ter uma vida ''normal'', sem drogas, bebidas e cigarros. Vejo isso como um bom sinal a favor de sua recuperação, pois ele sempre viveu na negação e nunca gostou de conversar sobre sua doença ou falar de recuperação. 
Quem acompanha o blog, sabe que ele não praticou nem o primeiro passo.
Vivia tentando ficar limpo á sua maneira e sempre achou que sozinho conseguiria.
Ele começou também, a se preocupar muito com sua saúde, coisa que não fazia antes.
Passou no médico, e está disposto a entrar em uma academia para recuperar a forma e ajudar a conter a ansiedade.
Estes dias, fiquei preocupada com a saúde dele, pois ele foi fazer uma pintura na casa de minha mãe, acabou lixando as paredes e passou muito mal por causa do pó. Ele teve uma crise de falta de ar e dores no pulmão fora do normal, mal conseguia falar. Fomos as pressas ao pronto socorro onde ele foi medicado e fez uma inalação.
Todos nós sabemos os danos que as drogas, principalmente o ''crack'', causam a saúde, os pulmões acabam ficando muito comprometido, causando desde edemas pulmonares entre outras doenças.
Ele ficou muito assustado e percebi que ficou demasiadamente preocupado com a sua saúde. Até então ele nunca havia passado tão mal em consequência ao uso de drogas.
Bem, eu disse no começo do post que ele não havia entrado de fato em recuperação. Pois bem, nestes dias de jogos da copa do mundo, ele andou tomando algumas latinhas de cerveja e embora tenha se controlado e não tenha exagerado na dose, sabemos perfeitamente bem, que esta atitude mostra que ele não está em recuperação e ainda tem suas reservas.
Ele não tem bebido com a mesma frequência de antes, mas de vez em quando toma uma latinha ou outra com a promessa de que depois da copa e de que quando começar a frequentar a academia irá parar definitivamente com a ''cervejinha''.
Eu como sempre, não crio expectativas e sigo minha caminhada com meus pés no chão, consciente de como a doença é traiçoeira.
Falando de mim agora... Eu estou feliz e me amando como nunca.
Parece que finalmente encontrei meu espaço na vida e aprendi a separar minha vida da dele, independente das escolhas e decisões que ele tome.
Parece-me que o fardo se tornou-se infinitamente mais leve 
Não tenho mais aquela pressão sobre mim.
Claro que tenho meus altos e baixos como qualquer outro ser humano.
Mas não vivo mais naquela eterna agonia, tristeza e auto piedade de antes.
Tenho aprendido muito dia após dia com meus erros e acertos. E claro, também aprendo muito com todos vocês.
Hoje vejo que a felicidade e a paz tão almejada, não depende de ninguém a não ser de mim.
Eu escolho ser feliz, e as consequências da minha escolha, atingem todos ao meu redor.
Hoje vejo que podemos iniciar nosso dia, com o compromisso de mudar o tipo de sentimentos que temos por nós mesmos.
Trocar os maus pensamentos pelos bons, mudar nossos velhos hábitos, começar uma dieta, cuidar mais do corpo, ir ao cabeleireiro, a manicure, mudar o visual... Enfim, ter mais tempo para cuidarmos e amarmos a nós mesmos.
São coisas simples e pequenas, mas garanto que causam uma sensação de bem estar e alegria que vale a pena experimentar.
Começar pelas coisas que aparentemente não tem importância, é um grande passo para alcançar outras mudanças que sejam necessárias para nós.
Pois a vida do codependente na maioria das vezes se torna muito repetitiva.
Nosso foco quase sempre está no adicto, no que ele esta fazendo ou fará, para onde ele vai, quando e como, se ele esta cumprindo suas obrigações e responsabilidades, se já chegou ou chegará, fora a nuvem negra que insiste em nos assombrar de tempos em tempos que é o medo da recaída...
Muitas vezes não conseguimos evitar estes anseios, por mais que tentemos. 
Bem, resumindo, com todas estas preocupações, muitas vezes acabamos nos tornando omissos com nós mesmos.
Mas podemos mudar se realmente desejarmos e lutarmos para isso.
O que importa para nós é o dia de hoje, e como vou vive-lo para ter paz e felicidade comigo mesmo.
Tudo depende de nossas escolhas, e eu escolho ser feliz... ''Só por hoje''.
Vamos dar um passo de cada vez, rumo a nossa recuperação, não importa quanto tempo leve, e mesmo que pareça devagar, quase parando, o importante é continuar.
A nossa meta é buscarmos a paz e a felicidade dentro de nós mesmos, independente das escolhas de terceiros.
Quanto a meu familiar adicto, ele também tem o direito de fazer suas escolhas, assim como eu.
E peço a Deus que ele escolha o caminho da real recuperação, ou qualquer mudança que lhe traga de volta a vida verdadeira, livre das drogas e de todas suas ilusões. Continuo orando para isso. Tenho muita Fé.
Mas hoje, só por hoje, meu amor por mim me faz viver e deixar viver.


terça-feira, 1 de julho de 2014

Facebook


Olá queridos(as) leitores(as)...
Passando só para dizer que por aqui está tudo em paz e deixar o link do meu face e minha pagina do face para quem quiser adicionar..
Tentei colocar no blog, mas esta  com problemas temporários...
Recebi alguns emails que não consegui responder por conta da correria do dia a dia.
Beijos no coração e muita paz e serenidade a todos... AMO VOCÊS INCONDICIONALMENTE....

https://www.facebook.com/lu.laura2


https://www.facebook.com/14anoslutandoporumdependentequimico?ref_type=bookmark

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Viva e deixe viver...



Olá queridos(as) leitores(as) do blog.
Como vocês estão? Espero que tudo bem...
Por aqui tudo na mais perfeita paz...

Meu familiar adicto segue limpo a alguns dias, finalmente ele tem conseguido se manter sóbrio sem ''cervejinha'' no final de semana. Nem mesmo no ultimo jogo da seleção ele caiu em tentação, apesar de estarmos assistindo o jogo na casa de meus familiares e lá todos estarem bebendo.
Acreditem, para ele isso é uma vitória. Quem acompanha o meu blog sabe que meu marido é dependente cruzado e a maior dificuldade de meu marido não é com as drogas e sim com o álcool, as drogas é apenas uma consequência do uso abusivo do álcool, visto que um adicto não deve tomar nem mesmo em pequena quantidade. ''EVITE O PRIMEIRO GOLE''
Bem, nós estamos todos bem, e por aqui estamos tendo felizes 24 hs de paz.
Quando cada um toma as rédeas de sua vida e cumpre cada qual seu papel, tudo flui perfeitamente bem..

E qual é o nosso papel?

O seu papel de ajudar alguém, não é o de fazer coisas por esse alguém, mas sim, o de ser e não o de tentar treinar e modificar as ações de alguém, mas treinar e modificar as suas próprias ações e reações. À medida que você as modifica de negativas para positivas – ex.: o medo pela fé; o desprezo pelo que ele faz, para respeito pelo potencial que existe dentro dele; a rejeição pelo desligamento com amor, deixando de tentar enquadrá-lo num determinado padrão ou imagem; ou ficar na expectativa dele estar acima ou abaixo destes padrões, mas dando uma oportunidade dele se tornar ele mesmo, dele desenvolver o que há de melhor nele mesmo, sem se incomodar no que isto venha a ser; modificando o domínio por encorajamento, o pânico por serenidade; a falsa esperança e egocentrismo por esperança verdadeira baseada no Poder Superior; trocando a revolta do desespero pela energia da evolução pessoal; em vez de dirigir - guiar; mudando auto-justificação em auto-compreensão. Na medida que você alcança estas modificações o mundo e as pessoas à sua volta também mudam para melhor.
Auto-piedade bloqueia ações efetivas. Na medida que afundamos na auto-piedade achamos que a solução para nossos problemas, está na mudança dos outros ou no mundo ao nosso redor e não em nós. Assim nos tornamos um caso perdido.
A exaustão é o resultado do uso da nossa energia em remoer o passado com arrependimento ou tentar encontrar meios de escapar de um futuro e ficar obcecado por esta imagem, com medo que ele venha à acontecer; isto pode esgotar toda a nossa energia e nos deixar impossibilitados de viver o dia de hoje. No entanto viver este dia, é a única maneira de se ter uma vida.
Não se preocupe com as ações futuras dos outros. Tão pouco espere que eles piorem ou melhorem à medida que o tempo passa, pois estas expectativas são pura criação e este é um trabalho de Deus, não seu; quando o homem tenta criar vida, ele só cria monstros. Somente o amor pode criar. Ame e deixe viver.
Lembre-se: todos estão sempre mudando. Quando julgamos alguém, nós os julgamos pelo que acreditamos conhecer sobre eles, falhando em reconhecer que há muito sobre eles que não conhecemos e que as pessoas estão constantemente mudando numa tentativa de lidarem melhor com a vida. Dê crédito aos outros, mesmo quando estão todos em conflito; dê-lhes crédito pelas tentativas de progredir, mesmo quando seu progresso não seja aparente; e acima de tudo dê-lhes crédito por terem conseguido muitas vitórias desconhecidas. Somos todos feitos da mesma matéria, apesar de formas diferentes.
Lembre-se: você também está sempre mudando e você pode direcionar esta mudança conscientemente se assim o desejar. Você pode se modificar - aos outros você só pode amar.
Um bom fim de semana a todos...AMO TODOS INCONDICIONALMENTE!!!

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Como ajudar um dependente químico














Tente manter a calma e principalmente procure entender sobre a doença.
Segue abaixo algumas idéias de conduta a ser seguida pelos familiares:
Tenha uma Conversa Franca, Sincera e Leal com Ele.
Comprovado o fato, tenha calma. É comum os parentes do dependente entrarem em desespero e perderem a calma. Jamais tome esta atitude. Comprovado o fato, sente-se com ele. Mostre que você deseja o bem dele como um amigo. Nesta conversa procure saber tudo. Qual droga utiliza, quanto tempo usa. Não fique chocado diante das informações, aja com naturalidade. Não o discrimine chamando-o de viciado, marginal, maconheiro, nem faça ameaças a ele. Neste momento é comum a família se culpar, não pense assim, este problema acontece em toda sociedade. Dê a ele amor, compreensão e apoio. Seja amigo dele!

Procure Apoio Técnico Para o Tratamento de Seu Familiar adicto, Não Deixe Para Depois.

Após saber tudo nesta conversa, e ele desejar ajuda procure apoio técnico. Os familiares devem procurar ajuda para se tratar.
Todos que convivem, com o dependente ficam doentes emocionalmente. Existem grupos de ajuda específicos para familiares. Trate-se!
Existem também grupos de ajuda para os dependentes. É ai que vamos levar o usuário.
O dependente só irá livrar-se das drogas se ele quiser.
Caso não queira a ajuda, o tratamento é sem efeito. Neste caso ainda existe esperança. Os grupos de familiares ensinam como agir e até como conduzir o usuário aos grupos de ajuda como o N.A. A família precisa tratar-se, e lembre-se, nunca permita que seu filho use drogas em sua casa, não libere, não seja neutro, pois poderá perde-lo.
Não esqueça, é sério. Se ele não quiser tratar-se, trate-se!

Compreenda a Luta Dele

Aquele que quer ajudar um dependente, precisa ter muita paciência e preparar-se para lutas e frustrações. Já observei muitas vezes os parentes com alegria declararem que os seus pararam de se drogar, busco neste momento pedir calma. Pois a coisa é bem mais difícil do que parece. Mas diante do que não conhecem declararam: “Não! Desta vez ele parou.
Muitas vezes no processo da recuperação, acontecem recaídas. É entendido que a recaída faz parte da recuperação, caso seja retomado imediatamente o programa de tratamento. Quando ocorre a recaída, o sentimento de derrota do dependente é grande, e isto é o suficiente como punição. Neste momento sua atitude fará a diferença. Aja com naturalidade, sem cobranças e busque o momento exato para conversar sobre o assunto.
Muitas vezes o silêncio diz tudo. Bem ordenado e com compreensão o trabalho será recompensado.



sexta-feira, 20 de junho de 2014

Em paz comigo!!!!

Olá Queridos(as) leitoras(es)!
Espero que esteja tudo bem com vocês...
Quero desculpar-me pela ausência, andei sumida porque aconteceram muitas coisas desde o ultimo post.
Uma delas é que minha netinha finalmente veio ao mundo no ultimo dia 11/06/2014...
Linda, e graças ao amantíssimo Deus, saudável.
Nasceu as 22:40 com 3.350 quilos e 47 centímetros..Sou muito grata a Deus por mais esta benção em minha família.
Deus sempre cuida de mim nos bons e maus momentos, e mesmo em meio a muitas lutas, sempre se mostrou presente em minha vida. Só tenho que levantar as mãos para o céu e agradecer a Deus por tudo que tem me proporcionado em minha vida e de minha família.
Bom meus queridos(as), neste intervalo entre a ultima recaída e o nascimento de minha neta, meu familiar adicto teve mais uma recaída, trabalhou o dia todo e depois foi assistir o jogo com alguns amigos e como devem imaginar, acabou bebendo e mais uma vez saiu por sua busca insana pelas drogas.
Enquanto a pessoa não se rende, fica difícil dar o primeiro passo em busca de sua recuperação.
Quando o adicto não está em recuperação, qualquer acontecimento é motivo para se drogar... ''Comemorar algo, se frustrar com algo, assistir o jogo da seleção, e por ai vai...
O que posso dizer meus queridos(as), é que apesar dos acontecimentos, nada conseguiu tirar minha paz e alegria com a chegada deste anjinho em meu lar...
Infelizmente ele, está perdendo estes momentos tão preciosos, mais uma vez as drogas roubaram dele momentos inesquecíveis, momentos únicos e que infelizmente não voltam mais, o único que está perdendo é ele...
Fico triste ao vê-lo cometendo tantas insanidades por causa da adicção ativa, mas reservo-me ao direito de não mais me deixar afetar pela doença dele...Hoje preocupo-me com minha doença e em me manter em recuperação, por ele, continuo orando para que acorde deste pesadelo e tenha um despertar espiritual e entre finalmente em recuperação.
Hoje consigo enxergar muitas coisas boas que acontecem em minha vida apesar da adicção dele. Sabemos como é difícil , triste e doloroso toda esta problemática que as drogas causam na vida do adicto e de seus familiares, mas de uma vez por todas precisamos lutar contra esta codependencia e tomar as rédeas de nossas próprias vidas. É possível sim, sermos felizes, tendo o controle absoluto de nossas próprias vidas, não cometendo mais insanidades tentando ser ''os salvadores do mundo''. É possível ser feliz deixando de ter controle sobre a vida do próximo e entender que podemos apenas modificar a nós mesmos.
Bem, quanto á meu familiar adicto, depois que ele chegou de sua ultima recaída, finalmente decidiu que vai procurar algum tipo de tratamento para entrar em recuperação, afinal, ele em tido muitas perdas devido a sua adicção...
Peço a Deus que ele finalmente possa ter um despertar espiritual e possa entrar verdadeiramente em recuperação...Tenho notado que ultimamente ele anda muito depressivo por consequência das insanidades que a doença o faz cometer. Ele realmente anda muito cansado em dar murro em ponta de faca e achar que conseguirá sair desta ''Sozinho''...Uma hora a ficha tem que cair, acredito que há um tempo certo para todas as coisas acontecerem, e cada um de nós temos nosso tempo de ''Despertar'', uns mais rápido, outros mais devagar e uns quase parando, mas todos nós temos nosso tempo.

Tem uma frase da Melody Beattie, que determinei como meta a seguir em minha vida( e tem dado certo)
''O outro pode estragar o seu divertimento, o seu dia, a sua vida- isso é problema dele- mas não deixarei que ele estrague o meu divertimento, o meu dia, a minha vida.''
É isso meus amigos(as), devemos primeiramente cuidarmos de nós e estarmos bem, para que só assim possamos ajudar nosso próximo quando ele quiser ajuda.
Posso dizer que nestes últimos anos, aprendi muito e cresci muito quando decidi cuidar de mim e de minha recuperação.
Definitivamente sou outra mulher, e vejo a vida de forma totalmente diferente de alguns anos atrás, quando estava nas garras da codependencia.
Hoje ainda fico triste, as vezes choro, me preocupo, afinal sou humana, mas não perco noites de sono, não deixo de me alimentar, não saio pelas ruas tentando resgata-lo( salvo umas duas vezes que ele saiu com nosso carro, sim, eu ainda cometo estes erros por acreditar demais) não perco meus compromissos, e isso para mim é uma grande evolução em minha recuperação, sei que tenho muito o que aprender, e cada um de vocês me ensinam dia após dia. Hoje sou feliz por saber que não estou sozinha, tenho vocês, e sinto que somos uma grande família.
As vezes fico magoada com pessoas que se intrometem em meu casamento e em minha vida dizendo que a unica saída é a separação. Acho que cada um sabe onde seu calo aperta, e se eu não quisesse mais, já teria me separado. Sou uma pessoa super a favor da família, e lutarei pela minha enquanto Deus me der forças e eu achar que deva continuar. 
Não sou uma pessoa que age por impulso, muito menos vou pela cabeça de pessoas que tentam controlar minha vida dizendo o que devo ou não fazer. Gosto muito de receber conselhos e até mesmos criticas, mas não permito que ninguém imponha nada em minha vida de como devo ou não devo agir, sigo meu coração e meus instintos, e me orgulho de ser quem sou, essa sou eu.
Como todos vocês que acompanham meu blog já sabem, tenho um familiar que é portador da doença da dependência química, ele não é nenhum bandido, é um homem batalhador, inteligente, que trabalha, de um coração gigante, ou seja, ele tem diversas qualidades, por isso permaneço ao seu lado neste momento tão difícil.
Quem acompanha o blog sabe que ele já logrou por longos períodos de sobriedade, e que por uma fatalidade que aconteceu em nossa família a alguns anos, ele não tem tido forças para se manter em recuperação.
Um dos propósitos deste blog é fazer com que a  grande maioria das pessoas preconceituosas, possam enxergar a adicção como doença e não como defeito de caráter. É mostrar que dependente químico não é um bandido ou desavergonhado, embora alguns possam ser, a grande maioria não são.
Acredito que meu familiar adicto é capaz, e tenho fé que um dia ele vai sair desta. E enquanto eu ver nele este homem por quem me apaixonei a 19 anos atrás eu permanecerei a seu lado, não importando o que as pessoas dizem ou pensam de mim.
Não devemos dar tanta importância ao que algumas pessoas falam ou pensam sobre nós, o que realmente importa é estarmos bem com nós mesmos, com a nossa consciência limpa, e agradarmos a Deus, nem mesmo Jesus agradou a todos, quem dirá uma pessoa falha como eu.
Bem amigos, vou terminando este post, e termino com uma frase que vi no blog de uma amiga querida, a Poly: 

Codependencia não é amor. E se é amor, é um amor adoecido, que faz muito mal a ambos. Não esqueça, ''o amor não é uma luta''!
Vamos ser felizes?




domingo, 1 de junho de 2014

Quando o fim do poço não chega...

Olá meus queridos!!
Como vocês estão? Espero que estejam bem....
Bom como eu disse em meu último post, era questão de tempo para ele ter uma recaída...
Na ultima quinta feira, meu familiar adicto, trabalhou o dia todo e depois, foi diretamente para um churrasco na casa de minha mãe, de lá ele saiu e não voltou para casa desde então...
Apesar de tudo, eu e minha filha estamos bem, estamos participando das reuniões do Amor Exigente de nossa cidade e estamos cuidando de nós e de nossa recuperação.
Estou triste, não posso negar, afinal é impossível que qualquer pessoa, por mais que esteja em recuperação não se entristeça com uma situação destas...
Não tem como evitar que fiquemos preocupados com ele, afinal ele está pelas ruas na sua busca insana pelas drogas. É lamentável o poder que as drogas tem na vida do adicto quando o mesmo não se encontra em recuperação.
Todos nós sabemos que infelizmente para vermos nossos familiares adictos em recuperação, temos que estar preparados para velos  sofrer, isto é muito triste para nós, pois o sentimento de impotência que ficamos é horrível, afinal quando o assunto é adicção, não depende de nós para que o adicto busque ajuda e queira realmente se recuperar.
Apesar de sabermos que não causamos as recaídas, não somos culpados por ela e nem podemos curar, as vezes inconscientemente, acabamos querendo ''controlar'' a vida do adicto, na falsa esperança que de alguma forma estaremos ajudando ou evitando a recaída. Infelizmente sabemos que isto não é possível.
Nada que façamos irá realmente mudar o comportamento deles, e muito menos podemos evitar que eles recaiam.
Na quinta feira, ele me ligou e pediu para que eu o acompanhasse no churrasco na casa de minha mãe, mas como minha filha esta grávida, e quase nos dias de ganhar o bebê, eu não quis ir ao churrasco. Eu fiquei com ela e disse que ele poderia ir sozinho.
Na sexta feira quando amanheceu o dia e ele não havia voltado, me peguei no sentimento de culpa, me perguntando porque eu não fui com ele? Se eu tivesse ido talvez isso não tivesse acontecido...
Na mesma hora me conscientizei que nada do que eu fizesse iria evitar a recaída. Poderia não ser naquele dia, mas certamente ela aconteceria. Então mantive a serenidade e orei por ele, é a unica coisa que ''eu'' posso fazer por ele enquanto ele não pedir ajuda. Não posso muda-lo, só posso modificar a mim mesma.
Algumas vezes me questiono, sobre a situação que ele se encontra. Por que ele não tem logo o despertar espiritual ? o desejo de entrar em recuperação de verdade? Onde esta este fundo do poço que não chega nunca?
Já ouvi algumas vezes, que o fundo do poço de cada um é particular, não tem como medir.
Para alguns determinada situação, como o fim de um relacionamento, é o fundo do poço, outros precisam perder realmente tudo que tem para quererem se recuperar.
Não é como uma receita de bolo, cada adicto pensa e age de forma diferente um do outro. A doença é a mesma, os sintomas são os mesmos, os comportamentos são parecidos, mas definitivamente, o adicto de minha família, não é igual o adicto da sua.
Como eu já disse em outros posts, eu fiz tudo que estou preparada para fazer, para não facilitar o uso de meu adicto familiar. Tirei algumas regalias, nos separamos, não minto mais para ajuda-lo, e  deixo que ele arque com as consequências de seu erro.
Isso para mim particularmente, seria o fundo do poço, mas na visão dele, creio que ainda não foi.
Até o dia de hoje, não me sinto preparada para coloca-lo nas ruas ou me divorciar de uma vez por todas dele. Mas amanhã eu não posso garantir que esta continue sendo minha decisão.
Sempre pedi muita força para Deus. Para me dar perseverança, fé e paciência para passar por tudo isso e agir com assertividade para ajudar meu familiar adicto.
Disse para Deus que continuaria enquanto aguentasse. Me frusta a ideia de perder para as drogas, mas sei que a culpa não é minha. Não sou culpada pelas escolhas de outra pessoa.
Se um dia eu ver que não dá mais, me separo. Hoje, apesar de triste, não permito que ele nos leve para o fundo do poço junto com ele. Já estive lá, para sair não foi nada fácil, por isso busco todos os dias mais conhecimento, tanto da doença dele, como da minha, para me manter em recuperação.
Quando ele saiu, fiquei todo tempo pensando como iria fazer para consertar as insanidades que ele sempre comete quando recai. Mas automaticamente pensei: Assim estarei atrapalhando a recuperação dele, pois não estarei permitindo que ele arque com as consequências de suas escolhas erradas. Estarei mais uma vez encobrindo seus erros e me tornando facilitadora do seu uso de drogas.


Contei tudo para minha família, sei que talvez isso faça com que ele perca o emprego e se sinta frustado, por mais uma vez as drogas terem destruído planos e sonhos da vida dele, mas me senti mais leve pela escolha que havia feito.
Estava lendo nesta semana o blog de uma amiga, no qual ela diz: ''que os mentirosos são eles por causa da doença'', se nós formos agir da mesma forma, mentindo para ''protege-los'' , além de estarmos facilitando para que continuem nesta vida( NÃO ARCANDO COM AS CONSEQUÊNCIAS DO ERRO) ainda estaríamos  tão doentes e em não recuperação assim como eles na ativa.
Além de ter aberto o jogo com minha família, fiz outra coisa qual ele odeia, pois acha que estaria expondo a imagem dele, fiz um boletim de ocorrência por desaparecimento. 
Na última recaída que ele teve a alguns meses, eu prometi que se acontecesse novamente, faria o boletim.
Como foi uma promessa, tive que cumprir para que ele saiba que não estou brincando, senão nunca ele dará créditos a minha palavra.
Tenho certeza que quando ele chegar muitas coisas podem acontecer, pois no fim ele acabará me culpando pela recaída ou por alguma outra coisa como sempre faz. Apesar de doer em mim, infelizmente não posso evitar as consequências que virão por causa da recaída.
Como eu sempre digo, eu não crio expectativas em relação a decisão dele entrar ou não em recuperação.
Mas não vou mentir, que a cada recaída, tenho esperanças que o fundo do poço dele chegue e ele decida entrar em recuperação. Quem sabe não é desta vez??
Afinal tenho muitos amigos adictos que vivem relatando que sofreram por anos a fio até aceitarem o primeiro passo e se tratar. Cada um tem o tempo do seu ''Despertar Espiritual''. Um dia ele chega para cada um, não importa quando e nem como.
Estou aqui neste momento torcendo muito e pedindo a Deus para que desta vez ele busque ajuda, se internando, ou participando de grupos de ajuda para entrar em recuperação. 
Bem meus queridos, aqui neste blog eu relato minha vida para vocês exatamente como ela é, com os altos e baixos que é conviver com um familiar adicto que amamos.
Recebo muitos emails de pessoas me perguntando: porque eu ainda continuo com ele??
Porque não me separo e sigo minha vida adiante? Talvez arrumando um relacionamento saudável com um não adicto? ou simplesmente viver minha vida com minha família??
Eu realmente poderia fazer isso e me livrar do ''problema'', mas não seria eu, não conseguiria ser feliz se agisse assim. Admiro as pessoas que tem esta força, e conseguem depois de ter passado por todos os problemas causados pela adicção, ainda prosseguirem com suas vidas deixando este passado para trás.
Sabemos o quanto é difícil tomar esta decisão. Principalmente quando ainda há amor.
Também sei que devo me amar em primeiro lugar,  isso eu tenho lutado para conseguir e tenho obtido exito. 
Cada dia que passa dou um passinho, nem que for pequenininho em favor a minha recuperação.
Tenho notado que a cada dia que passa estou menos ansiosa e tenho mais autocontrole para lidar com esta situação. Fico feliz de não cometer mais as insanidades que cometia antes por não saber que era uma codependente.
Estes dias estava assistindo um vídeo na internet no qual me identifiquei muito. Vou partilhar com vocês.


Bom meus amigos, termino este post contando com as orações de vocês para minha família.
Amo todos vocês incondicionalmente, vocês fazem parte de minha vida e da minha recuperação...Obrigado por tudo.
Obs: Se alguém precisar conversar comigo sobre algum assunto me add no Facebook no link abaixo:

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Orgulho, Negação e Falta de Humildade....




Olá meus queridos, não tenho postado com tanta frequência pois como vocês devem ter lido nos posts anteriores minha filha está gravida e se encontra no ultimo mês de gestação.
As coisas aqui em casa andam da mesma forma, ele não evolui em nada, a falta de humildade, orgulho e negação de meu familiar adicto, faz com que sempre ele viva neste ciclo destrutivo, nunca progride, não vai a lugar algum...



Depois de todos estes anos vivendo nesta montanha russa da adicção: hora estou bem, hora estou mal, hora recaio, hora já posso tomar aquela inocente ''cervejinha'', ele até hoje vive no auto engano, não admitiu para ele mesmo que é um adicto, acha que pode ir levando esta vida de aparências entre trancos e barrancos.
Por mais que em meus momentos de insanidade, eu tenha tentado tudo que se é possível, pensando estar ajudando de alguma forma com que ele mudasse suas atitudes e entrasse em recuperação, foi tudo em vão.

A única lição que pude tirar de tudo isso, foi aprender o que se deve e o que não se deve fazer, quando o assunto é dependência química....
Não adianta achar que nosso amor, ou nossos esforços, por maiores que sejam, irão interferir na decisão do adicto de entrar ou não em recuperação, definitivamente não depende de mim.
Se o amor, o cuidado e dedicação fizessem com que os adictos entrassem em recuperação, a maioria de nossos familiares adictos estariam vivendo bem e em recuperação.
Mas temos que aceitar de uma vez por todas que somos totalmente impotentes perante o vício de nossos familiares adictos.
Meu familiar adicto tem vivido na ativa ja nem sei quanto tempo, quando digo isso a ele, ele se enfurece, e diz que não está na ativa porque não esta usando drogas..risos
Ele ainda não conseguiu admitir ( por falta de humildade) que o álcool para ele é a pior droga....

Ele praticamente bebe quase todos os dias, faz uns dois meses, que ele não tem feito o uso do crack, mas todos nós sabemos que é apenas questão de tempo para que ele volte ao uso.
O grande problema de meu familiar adicto, é que ele sempre pensa que conseguirá sair do vício sozinho, ele quer ter uma vida normal, como se nunca tivesse tido problema algum com drogas em sua vida. As vezes é orgulhoso, arrogante e prepotente...Realmente a falta de humildade atrapalha muito no processo de recuperação dele.
Ele sempre aposta que desta vez vai ser tudo diferente, que ele vai conseguir, que ele é diferente de todos os outros adictos do mundo....Quanto auto engano.
Antes, eu deixava que a tristeza e a frustração, tomassem conta de minha vida pelos comportamentos insanos de meu familiar adicto, hoje não mais. Estaria mentindo se dissesse que sou feliz com a escolha de vida que ele resolveu ter, mas não permito mais que isto interfira tanto na minha vida e minha felicidade. Procuro separar minha vida da dele. É difícil, mas é possível.
Tudo que estava em meu alcance para ajuda-lo em sua recuperação, tenho a consciência limpa de que fiz, basta lerem meu blog, Já tirei dele todas as regalias possíveis, para que ele sentisse as perdas e caísse em si, mas nada adiantou.
Ele faz suas manipulações, chantagens emocionais, se faz de vítima para ver se consegue me comover. Aqueles teatros característicos que todo adicto na ativa faz.( são peritos na arte de manipular)
Infelizmente, enquanto ele continuar com a convicção de que ele consegue sozinho, só tenho a lamentar por ele.
Aprendi que posso mudar meu comportamento e assim fazer com que ele gradativamente melhore o dele, mas falta muito para ele realmente entrar em recuperação.....Uma das coisas que mais aprendi é impor limites e saber dizer ''NÃO''.Eu decidi eliminar de uma vez por todas a palavra ''EXPECTATIVA'' da minha vida. Assim o fardo se torna mais leve e eu não tenho tantas decepções, sei que não é fácil viver desta maneira, e é uma vida que não desejo a ninguém, afinal todos temos sonhos, e gostaríamos de projetar nossos sonhos baseados em expectativas de uma vida melhor.
Com toda esta bagagem de codependencia que carrego comigo ao longo destes 15 anos de adicção de meu familiar, procuro passar o pouco de experiência que obtive para meus amigos que estão começando agora esta longa jornada, procuro passar o pouco que sei, para que não cheguem a cometer os mesmos erros e insanidades que cometi no passado...Por incrível que pareça meus queridos existem muitas pessoas nos dias de hoje que nem imaginam o que é codependencia, não tem a mínima noção de como ajudar um adicto com assertividade.
O assunto ''codependencia'' infelizmente ainda é muito pouco divulgado em nosso país, e apesar de ser uma doença tão grave quanto a dependência Química , ela não é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde.
O problema cada dia que passa tem se agravado, e mais e mais famílias hoje, convivem com a problemática de ter um adicto na família.
Muitas famílias internam seus familiares adictos e não se tratam aqui fora, e quando o adicto sai encontra uma família completamente perdida sem saber como agir para ajudar seu adicto.
Por isso é tão importante que quando o adicto decida se tratar, a família procure um grupo de ajuda (na lateral da pagina tem os links de alguns grupos) e também faça o tratamento. Estou falando sobre isso, pois sempre recebo emails de famílias completamente perdidas sem saber como ajudar seu familiar adicto.
Enfim meus queridos, hoje eu procuro viver minha vida e tomar minhas decisões independente das escolhas que ele faça, contanto que as escolhas dele não me prejudiquem e prejudique minha filha, vou vivendo, tendo a mais plena certeza que a única responsável pela minha felicidade sou eu, só posso modificar a mim mesma, pelo meu semelhante, só me resta orar e confiar em Deus, confiar que dias melhores virão.
Retirei um texto que achei muito lindo,  do blog de minha querida amiga Poly e vou partilhar com vocês...

“Eu sou responsável por mim. Eu sou responsável por viver ou não a minha vida. Eu sou responsável por prover o meu bem estar espiritual, emocional, físico e financeiro. Eu sou responsável por identificar e satisfazer minhas necessidades. Eu sou responsável por resolver meus problemas ou aprender a conviver com eles, se não puder resolvê-los. Eu sou responsável por minhas escolhas. Eu sou responsável pelo que dou e recebo. Eu sou responsável por estabelecer e alcançar minhas metas. Eu sou responsável pelo tanto que desfruto de minha vida. Eu sou responsável pelo tanto de prazer que encontro em minhas atividades diárias. Eu sou responsável por quem eu amo, e como escolho expressar este amor. Eu sou responsável pelo que faço aos outros, e pelo que eu permito que os outros me façam... (Melody Beattie)

terça-feira, 6 de maio de 2014

O MEDO DO ADICTO

O medo do Adicto
Estou completando hoje 56 dias dos 60 dias em que estou nesta clinica de recuperação. São 56 dias limpo, 56 dias em que ganhei uma nova perspectiva de vida sem a droga.
Estou feliz aqui, ganhei verdadeiros amigos que me entendem, que me ajudam, que compartilham seus problemas, confidenciam medos, esperanças. Compreendem a minha compulsão, meu desejo insano por drogas, todos nós aqui estamos passando pelos mesmos problemas.
Ganhei uma serie de conhecimentos que me ajudam e ajudaram a combater esta loucura. Descobri principalmente que o problema que me atormenta não é só a droga, ela é apenas um ponto dentro de pontos, ela é bengala que necessito para poder caminhar, ela é a desculpa para meus medos e minhas ansiedades. Um porto seguro para tudo aquilo que não tenho coragem de fazer ou ser.
Aprendi que não basta apenas ¨Eu¨ parar de usar drogas, ¨Eu¨ tenho de deixar de ser uma droga, ¨Eu ¨ tenho que parar de pensar como Adicto. Tenho de mudar atitudes, tenho de deixar de ser o centro do universo para ser parte dele. Isto é que é o verdadeiro sentido da ¨Recuperação¨.
Meus defeitos acumulados por anos, outros desenvolvidos foram moldando minha personalidade e fazendo parte essencial de toda a lou-cura que me tornei hoje, isto, é que tenho de Mudar. Mudar a mim não a droga e se não o fizer isto; se não mudar meu interior; estarei apenas mudando meu vício, minha droga.
Hoje deslumbro um outro pensar, um outro mundo, a minha serenidade atingida me acalma e me torna um ser humano mais capaz, um ser que não precise mais de desculpas para suas fraquezas, para sua falta de coragem diante da vida, diante das pessoas, dos sentimentos, do mundo. Que não precise mais se drogar para se anular ou para se fazer valer como gente perante uma situação ou uma decisão.
Aqui na clinica me sinto protegido, aqui tenho limites, me sinto cercado por muralhas, tenho normas, regras e responsabilidades. Sinto-me amparado por amigos, socorrido por terapeutas, tenho coisas que nunca pude presenciar de verdade, sou um ser que a cada dia conquista uma batalha e agradece por ter tido mais um dia de sobriedade.
Confesso que tenho medo do mundo lá fora, faltam apenas 4 dias para minha internação acabar, logo estarei lá fora e estarei por minha conta. Claro que terei apoio dos amigos conquistados, todos estarão sempre prontos a me ¨Ajudar¨, as ferramentas que aprendi estarão ao meu dispor, todo o conhecimento adquirido terá de ser colocado por mim em prática. Mas, apesar de tudo isto, confesso, tenho medo. Mas meu medo maior não é do mundo lá fora, não são dos amigos dos tempos de uso de drogas que deixei, não são dos lugares que freqüentei, nem da boca de fumo da qual freqüentava e me sentia sócio. Meu maior medo é o da minha ¨Casa¨, parace incrível, este é o lugar hoje mais assustador para mim.
Dos amigos de uso eu me afasto, os lugares eu evito, a boca eu nem passo perto, mas, da minha casa, é complicado!
Todo aquele ambiente esta de braços abertos a minha espera. Todas as atitudes alheias estão a minha espreita, os ressentimentos causados ainda estão a flor da pele, o caos que existiu um dia ainda impera.
¨Meus familiares¨ ainda são o que deixei a cerca de 60 dias atrás. Eles não mudaram, não se redescobriram, não se recuperaram. Vou encontrar as mesmas pessoas, as mesmas atitudes, os mesmos sentimentos, os mesmos medos, os mesmos defeitos, os mesmos conflitos, a mesma pseudo-sabedoria. Tudo aquilo que conheço de todos a anos. Vou encontrar toda a insanidade que ficou, isto me trás medo, o medo de que não tenha condições de suportar todo o descontrole que é a ¨minha família¨.
Sei que sou portador de uma doença sem cura, porém, sei que minha doença tem controle desde que eu me utilize de todas as armas que aprendi. Hoje tenho conhecimento que ¨Meu familiar¨ também é portador de uma doença, na qual a ¨negação¨ e um dos seus sintomas mais fortes. Admitir para si que erros foram cometidos e que sua vida esta baseada em mentiras é para ¨Ele¨ inaceitável, ficando mais fácil encontrar culpados, ficando mais fácil ser uma vitima. Este não aceitar me causa temor, sou um doente em ¨Recuperação¨ que vai conviver com doentes que não aceitam a sua doença e nem admitem uma ¨Recuperação de si¨.
Temo por ¨minha recuperação¨, pois, as conquistas de cada 24h que tive me são extremamente valiosas, a dor para conquistá-las me foram muito doídas e não quero perder a guerra que apenas comecei a vencer. Fazer-me dono de novo da minha vida me faz sentir tudo de bom que posso ter, me faz ver todas as dores que causei a mim e que não quero mais ocasionar.
Voltar para ¨Minha casa¨ me atemoriza porque vou encontrar tudo aquilo que por minha incompetência como ser humano me deixei possuir. As mesmas idéias, os mesmos preconceitos, todas as mentiras ditas como verdades ainda estarão lá instaladas. Eu mudei, mas, meu familiar infelizmente não. Meu familiar ainda estará cheio de sua arrogância, cheio de sua sabedoria alheia e de sua ignorância de si.
Tenho medo da ¨Casa¨ que deixei a cerca de 56 dias atrás, que esta ¨Casa¨ acabe com todo o aprendizado que adquiri e todo o controle que hoje e só por hoje, agora e só por agora, tenho sobre minha doença. Minha ¨Casa¨ possui todas as ferramentas, todas as facilidades para que eu venha a fraquejar, tenho todas as chances de me deixar levar de volta ao uso de drogas. Quero que minha sobriedade impere sobre mim hoje e quero que isto permaneça inalterado.
Sei que ¨Meu Familiar¨ não é culpado por minha drogadição. Ele é uma pessoa que também sofre com a sua compulsão de Controle e Sabedoria. Estando cego por suas drogadições conquistadas, por seus conceitos preconceituosos, por seus conselhos concedidos e não aplicados. Sinto que sua drogadição pode me fazer voltar as minhas drogadições.
Aprendi aqui na clinica que tenho que evitar lugares e pessoas, para que estes não venham a atrapalhar a minha Recuperação. Tenho muito ainda que fazer. Percebo que terei muitos desafios a enfrentar e entre eles esta ¨O Meu Familiar¨. Ele é tudo aquilo que ¨Eu¨ sempre cultuei, ele é aquilo que eu sempre quis que ele fosse, os seus defeitos de caráter são tudo o que eu preciso para continuar a ser um drogado e estes defeitos ainda estão latentes e podem contagiar-me.
 Talvez ¨Eu¨ tenha que deixá-lo no meio do caminho.

Me ¨desligando¨ dele com Amor.

Para que ¨Eu¨ possa ganhar hoje e só por hoje a tão sonhada ¨Recuperação¨.

TEXTO RETIRADO DO BLOG:http://modificaramimmesma.blogspot.com.br/2012/03/o-medo-do-adicto.html

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Internação Involuntária





“Amá-los com todas as nossas forças, significa resguardá-los deles próprios e, mesmo que a princípio não entendam desta forma, mesmo assim, precisamos fazê-lo o quanto antes.”

Muitas vezes nos perguntamos se estamos sendo duros demais com os nossos adictos ao tomarmos a decisão de interná-los involuntariamente, e sabemos que tomarmos tal decisão, exigirá de nós uma força quase descomunal. Nestas horas, precisamos ser firmes e fazer por eles, o que não conseguem fazer sozinhos. Porque, em um dado momento, muitos dependentes chegam a um estágio da doença que perdem até mesmo o poder de escolha e decisão. Estou me referindo a um dilema que muitas vezes compartilhamos ao especularmos a possibilidade de retirá-los de circulação contra a própria vontade. Ao tomarmos esta decisão poderemos nos sentir o pior dos seres humanos, porque teremos a sensação de estarmos sendo covardes e cruéis, mas não é bem assim. Precisamos protegê-los deles próprios. Mesmo que esta internação tenha apenas um efeito parcialmente paliativo, pois, o tiro pode sair pela culatra e o procedimento funcionar ou não. Mas, precisamos fazê-lo mesmo que isto doa demais, por que a dor de não fazer nada e ver um ente querido morto é muito maior do que aquela que poderemos sentir ao constatarmos que depois que a vida se foi, nada mais poderá ser feito.
“Fui internada contra minha própria vontade, no ano de 1998. Naquele momento, senti-me péssima. Na verdade, eu me sentia vítima de um grande complô organizado pela minha mãe e pelo meu ex- marido. Realmente, achei que a minha família estava desistindo de mim e que internar-me a força, era uma boa forma de se livrarem do peso que me tornei em suas vidas. O tempo passou e pude ver o quanto me amavam e como foi difícil para eles tomarem a decisão de me internar involuntariamente. Percebi que agiram certo e, no momento mais crítico da minha adicção ativa, eles me resguardaram das minhas insanidades e salvaram a minha vida. Foi uma cena feia: de um lado o psiquiatra, do outro a minha mãe e o meu ex-marido, e eu, achando que tudo não passava de uma encenação. Só entendi a gravidade da questão, quando ouvi o médico perguntar para eles: Ela tem alguma condição de convívio social? E, eles responderam em coro: Não! Então, percebi que estava em maus lençóis, ao ver dois enfermeiros me segurando pelo braço e levando-me embora para uma ala psiquiátrica. Foi horripilante. Chorei muito, não pelo fato do afastamento social, mas pelo fato de não poder mais usar drogas estando confinada ali. É difícil entender que sentimento era aquele, pois eu deveria estar pensando na minha família e não em me drogar novamente. Mas os meus valores estavam reduzidos a zero, e nada era mais importante do que usar, nem mesmo a minha vida era importante naquele momento. Adentrar em uma ala de psiquiatria e ver aquelas pessoas babando, nuas e totalmente desconexas do mundo aqui fora, foi um choque para mim. Talvez, eu tenha tido o meu primeiro despertar espiritual lá, naquele hospital. Por que de repente tudo ficou muito claro. Parece que me foi retirado o véu da ignorância, quando sentada no pátio daquele hospital, olhei ao meu redor e pensei: Darléa, o que você está fazendo com a sua vida? Por que quer morrer? Por que não luta? Não desista de você! Queridos, não sei se fui eu quem pensou ou se foi a voz de Deus, mas analisei bem as perguntas e me questionei se ainda existia uma chance para mim, depois de tantos sacrilégios que cometi com a minha vida. E, decidi tentar modificar tudo que havia vivido até aquele momento. Quando saí da internação, voltei aos grupos de mútua ajuda e, apesar de tantos altos e baixos, estou conseguindo ficar limpa. Consegui resgatar a minha dignidade. Não posso afirmar-lhes que foi ou não o efeito cascata que a internação me deixou, que me levou a tomar uma decisão de parar com as drogas, mas com certeza, ao vivenciar tudo que passei em uma internação, decidi que não queria mais aquilo para a minha vida. E, a única forma de não voltar mais para aquele lugar, seria e ainda é, não voltar a tomar aquela primeira dose.”

Por: Darléa Zacharias

(Trecho do livro Inimigo Oculto - Foco, Força e Fé, capítulo: Adicção e codependência: uma mistura explosiva!)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

O Problema Não é a Adicção



Olá meus queridos!!
Ouvi várias vezes que a ¨Recuperação do Adicto¨ não estava apenas relacionado com ele parar de usar Drogas. ¨O problema não é a sua Adicção, mais sim, as suas atitudes¨. O afastamento das drogas era apenas a primeira parte de um processo de libertação de um vício. Um vício físico, mental e espiritual.
Recuperação é mudança de ação, de hábitos e hábitos que estão relacionados com conceitos negativos que o Adicto repete nas suas 24h. Hábitos que aprendeu com os exemplos observados em seu convívio, hábitos que desenvolveu e hábitos que criou durante sua caminhada.
Conceitos como respeito, direitos, dever, liberdade são desconhecidos por eles ou adaptados as suas vontades, aos seus objetivos, por causas da sua doença ou porque já estavam incutidos em seu ser. Manipulam sentimentos e pessoas de acordo com as suas necessidades, aonde não são levados em conta os significados reais destes conceitos e nem princípios. Importando apenas os anseios, o poder, o seu ego.
Princípios reais são universais, não importa credos, educação, raças. Princípios são conceitos da natureza do homem, essenciais a um crescimento físico e espiritual. Princípios são verdades absolutas, imutáveis, transcendem à vontade deste ou daquele grupo. Princípios não podem ser adaptados a aspirações individuais e princípios são desconhecidos pelo Adicto.
Reavaliando minha vida percebo que o inferno vivido por causa da Adicção dele, o caos exterior e interior a todos não estava relacionado ao seu vicio em ¨drogas¨, não era o álcool nem o crack, que tornava nossas vidas em um total descontrole e sim as ¨Atitudes¨.
Ao meu redor as atitudes loucas, as insanidades, as irresponsabilidades já existiam muito antes das drogas. Nossa história indicava que não era a droga que o destruía, que destruía a família, o convívio, o amor, que levava desespero ao nosso corpo e mente. Não era a droga que levava ao sofrimento, que violentava, que agredia, toda a loucura estava ligada à ¨Atitude¨, a comportamentos antiéticos, imorais, desvairados, sem limites, que já eram existentes.
A droga nada criou, ela apenas potencializou o que já existia.
Hoje tenho consciência de que ¨ele¨ não precisa apenas para de usar drogas, o que realmente ¨ele¨ tem de parar é com seu comportamento obsessivo. As drogas não podem serem usadas como desculpas para o seu total medo da vida, para sua total falta de respeito, para seu total descontrole e nós também temos que parar de usarmos desta desculpa para nossa total incompetência perante a vida, nossos medos, nossas culpas, nossas frustrações. A nossa falta de querer ser feliz. As nossas relações com este mundo tem de ser transformadas.
Apenas ¨Parar¨ o uso das drogas não fará com que sejam apagados ressentimentos surgidos com a Adicção. As marcas são profundas demais para serem apagadas e somente uma completa modificação de comportamento dará inicio a verdadeira Recuperação e ao verdadeiro Perdão. Recuperação esta ligado à mudança de pensamentos, de sentimentos, de atitudes, o simples deixar de ser dependente químico não significa que os impulsos mais falhos, o caráter negativo tenham sido convertidos. Recuperação é eliminar os resíduos que ainda estão em uso, independente de parar ou não com as drogas. Resíduos dos tempos do uso do do crack, do álcool, resíduos dos tempos em que se deixou viciar pela falta de princípios humanos, éticos, morais, que foram permitidos serem desenvolvidos em seus costumes, em sua postura, em seu caminhar e em nosso caminhar. A mudança não tem de vir de fora para dentro, as mudanças tem de vir de dentro para fora. E não só seus atos tem de ser modificados, nossos atos também tem de serem modificados.
As verdadeiras drogas estão dentro de cada um, a verdadeira droga não é aquela que entra pela boca, pelo nariz e sobe ao cérebro e distorce realidades, induz comportamentos, permite coragem, permite ímpeto, permite que sejam colocados para fora tudo de ruim que esta amordaçado em nosso interior. A droga liberta o que de pior existe em nós, libertando todas as drogas da minha personalidade, todos os defeitos de caráter. A verdadeira droga é aquela que esta contida dentro de cada um de nós, são aquelas que saem de nossas bocas, são os pensamentos, são os sentimentos, são as ações. A verdadeira loucura da droga é aquela que se aloja no coração e domina o espírito.
A ¨drogadicção¨ é algo que permite que ¨Ele¨ seja aquilo que por covardia ¨Ele¨ não tem coragem de ser. Ela é o suporte que ele necessita para combater seus medos, para se sentir ¨alguém¨, ou, para se anular no mundo. A sua drogadicção faz com que ¨Eu¨ também infelizmente me sinta ¨alguém¨. A drogadicção dele da sentido a minha existência, e alimenta minha doença.
As consequências, as loucuras da Adicção que presencio hoje já estavam enraizadas em todos nós há muito tempo. Tudo a minha frente era previsível, apenas a minha negação em admiti-lo impedia de enxergar as coisas que aconteciam. Tudo sempre esteve bem ao lado, as minhas vistas, os defeitos de caráter, as manipulações, chantagens, as grosserias, o egoismo. Minhas facilitações, os conceitos baseados em minhas verdades absolutas, a arrogância, a prepotência. Nossas relações estruturadas em mentiras e falsidades, cheias de ressentimentos, enfim, tudo, tudo, já estava lá muito antes das drogas fazerem parte do dia-a-dia.
Precisou que as ¨drogas químicas¨ fincassem suas estacas em nossas vidas para que as ¨drogas da nossa personalidade¨ fossem encaradas de frente, pudessem serem sentidas, serem admitidas, desmascaradas. Que nossa hipocrisia viesse a tona, já que as deformidades, os conceitos deturpados absorvidos ao nosso caráter já o drogavam há muito tempo e dopavam a mim, minha família, a todos.
As drogas eram a porta de entrada para que pudéssemos culpar, desculpar, acusar, criticar, apontar no outro as imperfeições e erros que negávamos existir em nós. As drogas são a porta de saída hoje para que possamos desculpar, descobrir, recuperar, ver virtudes, compreender que os defeitos e erros que negamos existir em nós já existiam há muito mais tempo, muito antes da Adicção dele.