domingo, 31 de maio de 2015

Vivendo e deixando viver....

Olá meus amores!!!
Saudades...

Bem, faz um tempinho desde minha última postagem...
Tenho recebido muitos emails de amigos me perguntando como está a minha vida após a separação...
O que posso dizer a vocês??
Nós codependentes, temos uma grande dificuldade de praticar o desligamento, mas as vezes é necessário para nossa própria sobrevivência.
É preciso saber a hora de abandonar o barco quando percebemos que estamos afundando junto com ele.
Nos primeiros dias após a separação, a sensação que tive é de estar passando por um período de luto.
O medo, a insegurança e o sentimento de impotência eram devastadores.
As noites eram terríveis, pareciam não ter fim.
Passei noites em claro pensando, pensando e pensando...
A codependencia estava aflorada. Uma sensação de derrota, e perguntas do tipo: ''Onde foi que eu errei?''...Não paravam de martelar minha cabeça.
Me isolei um pouco. Precisei deste tempo para mim, precisava me reencontrar.
Saber quem era eu longe de toda esta minha história de codependencia.
O que me abalou demais, foi saber que meu familiar adicto após a separação, teve uma piora considerável.
Havia me mudado para casa de minha mãe, e como nossa antiga casa ficava a apenas dois quarteirões, era impossível não saber notícias.
Ele finalmente havia chegado ao fundo do poço, e isto me entristecia e me abalava demais.
Me apeguei a tudo que havia aprendido em todos estes anos como uma codependente ''as vezes em recuperação''. Digo as vezes, pois para mim, é impossível você viver serenamente e em recuperação a todo tempo com um adicto na ativa ao seu lado.
Por mais que saibamos o que tem que ser feito para agir com assertividade com nossos familiares adictos, viver em um ambiente quando a pessoa não está em recuperação abala qualquer ser humano.
É visível, mesmo quando ainda estava casada, que progredi muito no estágio de minha doença, mas infelizmente não havia como não ser atingida de alguma forma pela adicção ativa de meu familiar.
Os dias foram passando, e aquela dor que inicialmente parecia que nunca iria ter fim, foi amenizando.
Colocar em prática o que aprendi, era questão de sobrevivência.
Em primeiro lugar coloquei em minha cabeça a questão dos 3 Cs, quando se trata de codependencia.
1- Eu não Causei a doença dele...
2- Eu não sou Culpada por ela....
3- Eu não posso Cura-lo...
Ufa..Foi difícil trabalhar a tal ''Aceitação''. Mas somente assim tirei um peso equivalente a um elefante que havia em minhas costas.
A separação em si, já é complicada em um relacionamento dito ''normal'', em uma relação onde a codependência é aflorada então...
Muitos anos de convivência, cumplicidade, filha, netas...Tudo isto torna mais complicado o desligamento. 
A rotina de minha vida foi mudada drasticamente. Encontrar o meu lugar no mundo me parecia impossível.
Bem, vamos falar do ''HOJE''...
Hoje eu sou a Luciana, uma mulher de 37 anos, que é apaixonada por leituras, adoro fazer amizades, as vezes saio para dançar, me preocupo com minha saúde, minha alimentação, eliminei mais de 35 quilos causados pela depressão, amo viajar, tirar fotos, acampar... Enfim, hoje eu me amo, me valorizo e me coloco em primeiro lugar.
Olhar para mim hoje, e lembrar da Luciana de alguns anos atrás, me causa um certo ''orgulho'' de mim mesma.
Aquela mulher que vivia angustiada, com medo, frustrada, sem amor próprio, que perdia noites e noites de sono e cometia milhões de insanidades na tentativa frustrante de mudar o meu próximo, foi deixando de existir dando lugar a esta Luciana de hoje. A Luciana mais calma, serena, que consegue pensar antes de agir ( as vezes)... Enfim, que não comete mais aquelas insanidades de antes..rsrs
Sei que a vida é um eterno aprendizado.
Ainda tenho muito o que aprender e mudar, mas fico imensamente feliz com o progresso que tive em minha recuperação, e agradeço a cada um de vocês que contribuíram muito para que isso ocorresse. Agradeço a cada puxão de orelha, cada conselho, cada mensagem e até mesmo as críticas que muitas vezes foram construtivas. OBRIGADO.
Bem, hoje não posso ainda ter o prazer, de dizer que meu familiar está em recuperação, mas ele está bem.
Melhorando um pouco a cada dia, está lutando para entrar em recuperação, fico feliz e agradeço a Deus por cada pequeno progresso que ele faz em favor de si mesmo.
Hoje somos amigos, e ele costuma dizer que nos damos melhor agora, do que quando éramos casados.
Sempre que posso, o ajudo na medida do possível, e ele também faz o mesmo por mim.
Estou morando provisóriamente na casa de uma amiga muito querida. Ele está trabalhando e ajudando nossa filha a cuidar de minha ex-cunhada que está doente.
Notei uma grande mudança da parte dele após a nossa separação.
Se tornou uma pessoa mais responsável, menos egoísta e mais serena.
Hoje, posso ver claramente que o adicto precisa realmente sentir7 perdas para ''querer'' se recuperar.
Hoje posso também enxergar o quanto prejudiquei a recuperação de meu familiar adicto na tentativa de ''controlar'' a doença e tentar muda-lo a todo custo...
A terceira tradição de Narcóticos Anônimos diz : 

''UM ADICTO QUE NÃO QUER PARAR DE USAR, NÃO VAI PARAR DE USAR. PODE SER ANALISADO, ACONSELHADO, PERSUADIDO, PODE-SE ORAR POR ELE, PODE SER AMEAÇADO, SURRADO OU TRANCADO, MAS NÃO VAI PARAR ATÉ QUE QUEIRA PARAR.''

As vezes demoramos muito para entender e aceitar isso, mas quem acompanha meu blog, pode ver claramente que isto é uma grande verdade. A recuperação depende única e exclusivamente do ''querer'' do adicto. Quanto mais rápido aprendermos isso, mais rápido entraremos em recuperação e conseguiremos ajudar com assertividade nossos adictos. 
Hoje meus dias estão mais calmos, felizes, hoje posso verdadeiramente dizer que estou em paz.
Procuro ocupar meu tempo com coisas construtivas e mudei um pouco o foco de minha vida deste assunto, codependencia e adicção.
Fiz amizades maravilhosas e resgatei antigas amizades que antes foram esquecidas por eu estar mais ocupada vivendo a vida de meu ex, que minha própria vida.
Estou recuperando coisas que achei que fossem irrecuperáveis, e estou plenamente feliz por isso.
É obvio que ainda passo por alguns dias difíceis, afinal as sequelas da codependencia são muitas, mas nada comparado aquela vida sem paz que eu tinha antes.
Ainda não consigo deixar de me preocupar com meu ex, e acho que nunca conseguirei. Acredito que um pouco de preocupação é saudável, faz parte da vida. 
Mas aceito e entendo que não posso muda-lo, e deixo  ele viver com suas escolhas... Isso é viver em recuperação.
O que posso dizer a vocês meus queridos, é que existe vida além da codependencia.
 É possível sim, sermos felizes quando decidimos verdadeiramente cuidarmos de nós, afinal, é impossível ajudarmos alguém, quando não conseguimos nem mesmo mudar nossas vidas.
Hoje eu aprendi que a única pessoa que posso mudar é a mim, e só assim talvez eu consiga com minhas atitudes influenciar indiretamente e ajudar na recuperação do meu próximo.
Bem meus amores, vou terminando esta postagem por aqui, pois está tarde e amanhã tenho que levantar cedo para trabalhar.
Vou deixar o link da minha pagina do Facebook para quem quiser acompanhar:

 https://www.facebook.com/14anoslutandoporumdependentequimico?ref=hl 

Desejo a todos uma semana abençoada por Deus repleta de paz e serenidade.



           AMO TODOS VOCÊS INCONDICIONALMENTE.